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Não sei se tenho algo a falar hoje, mas certamente estou com vontade de escrever. O que para muitos, e não pouco instruídos e inteligentes, é algo terrível sempre foi uma constante em minha vida e está muito difícil de aceitar novamente. A sensação da solidão. Não é a falta de amigos embora eles tenham se afastado é, isso sim, muitos anos depois do esperado a falta de uma mulher, de uma companheira, de uma namorada. Estranho isso. Acho que não adianta procurar mesmo. Se eu não achar eu acho que consigo sobreviver. Parece ser uma tendência ser solteiro hoje em dia. Não seria nem um pouco interessante, maaas é a vida.

Enquanto isso como esperado o corpo e a mente mudaram substancialmente. Não sei porque, mas mesmo com a minha disposição no zero ultimamente eu estou menos receoso do futuro e mais seguro. Trabalhar é necessário e será providenciado desde que eu vá atrás, já namorar anda sendo difícil e eu ainda não resolvi meus problemas. Eu readquiri minha confiança, mas fui apartado de certas coisas que faziam sentido pra mim. Muita gente diria que isso é infantil, mas o fato é que minha adolescência foi arrancada de mim violentamente. Tanto melhor se era necessário

Me resta saber se a vida adulta vai trazer tanto sexo e paranoias  Perder os pais é uma ideia que venho matutando na minha cabeça e me acostumando como um mantra. Dia após dia tento colocar em minha cabeça como as cantigas infantis ou uma reza, mais como um mantra que minha vida irá mudar de forma radical. Na verdade eu já sinto minha vida mudando ou se não mudou (como de fato ela não mudou radicalmente nos confortos), mas eu me sinto mais distante do mundo e dos interesses, menos afeito a explosões de alegria e efusões de tristeza. Na verdade as crises de tristeza estão sarando e estou retornando ao meu equilíbrio. Antes ser cético e lembrara como foram duros os anos de solidão, mas como eles me deram força para que eu me bastasse, mas isso seria verificar apenas parte do problema. Enquanto amigos estão vivendo uma fase áurea da vida eu estou tentando sobreviver e recolher os restos do atraso da minha estadia demorada e longa de uma felicidade que eu preciso curar os males.

Se antes eu me culpava por não estudar hoje em dia eu me culpo por não ter calculado os anos e vivido de acordo com uma escala ou uma cartilha de princípios de desenvolvimento humano. De não ter seguido ás fases e ter-me tornado consciente da minha mediocridade e insignificância minimizando o prolongamento de fases duras. O sono é uma grande arma contra tais problemas e ele faz passar o tempo que ainda me sobra neste mundo. Para os meus pais eu estou ainda em uma boa fase de vida e posso construir o meu futuro. Sinceramente eu acho que o trabalho tem dado sentido ao meu existir (o quão plebeu isso pode ser é ultrajante diante de alguém que já foi tão orgulhoso das próprias faculdades mentais e tinha certeza de ser o rei do mundo. Não passo de uma sombra do que fui aos meus 18 anos).

Uma fase muito importante da minha vida foi fechada com muitas lágrimas e melancolia e o medo de que na minha velhice eu não possa sustentar boas memórias e pedir para o fim da chama da minha vida me faz assustar. Eu ainda tenho forças e o tempo me mepurra para seguir em frente. Já pensei várias vezes em suicídio por achar que minha vida estava toda errada e que minha maturidade estava aquém dos outros. me sinto menos que medíocre  me sinto impotente diante de tantos problemas inclusive o meu peso. Foram tantas feridas que acho que eu trocaria minha felicidade plena nos primeiros anos de faculdade por uma felicidade parcial, mas olhos vigilantes para os problemas. teria evitado tanta melancolia.

Na “juventude” tudo parece cor-de-rosa, mas agora eu lembrei de muitas neuroses, de muitos problemas, inseguranças e etc, mas isso me dá forças para continuar sem esperar um milagre, um dia cor-de-rosa. O que me falta é a convicção de que seja uma pessoa útil ou que possa ser amado. As duas neuroses mais egoístas do ser humano. Até porque na adolescência eu não namorei: eu compensei uma infância reservada e resolvi construir em cima da minha timidez uma certa segurança, me apoiei em outras pessoas e só quando virei os meus vinte anos me estabeleci em plena segurança.

Tudo isso foi questionado e meu desenvolvimento foi posto em xeque assim como minha certeza de que tinha algo de especial que poderia me diferenciar do resto da humanidade e criar minha identidade. Pior ainda é depois de ter plena certeza de quem eu sou saber que eu não sou diferente de ninguém, saber como a vida é efêmera em tal idade e pressupor que a velhice me trará a pior das dores e talvez eu não aguente a sensação de morte, a solidão, a doença, a falta de expectativas financeiras. Saber que o mundo está girando, se tornando um lugar pior para se viver e a deterioração no mercado de trabalho me fazem ter menos felicidade sobre o que está sendo colocado diante de mim, mas para quem experimentou o fundo do poço as coisas parecem razoáveis em certa medida.

A falta de tempo para si não tem sido um problema. Eu tenho conseguido, com o trabalho, ficar mais centrado em mim e esquecido os outros. Talvez este recalque seja interessante para criar resistência e resiliência, viver o mundo com cores menos fortes e, por conseguinte, diante da indiferença acreditar num mundo melhor. Afinal, a frase de Schopenhauer que dizia que a vida, quanto mais ela passa mais nos damos conta de que não passava de uma piada de mal gosto parece verdadeira. Ao mesmo tempo eu já me formei, não tenho mais expectativas, agora o que me parece é que a sobrevivência e o restabelecimento como ser humano parecem a minha perspectiva de vida.

Uma perspectiva boa, talvez, para quem não tinha mais esperanças de futuro faz alguns meses atrás. Isso não significa que acredite na felicidade. Não significa que irá tomar uma decisão radical, que vá fazer algo da minha vida. Meus dezoito anos passaram e meu corpo me diz que não há esperanças de eu emagrecer ou eu mesmo tenho sabotado meu regime. para alguém que há 7 anos atrás só evoluía estar se levantando e recuperando uma força perdida e tendo certeza que ela é apenas parcial é difícil mesmo viver, imagine sustentar projetos. Aos 25 anos isso é tão medíocre, tão fora do comum em um sentido ruim que me sinto péssimo. Sempre me senti deslocado com relação à muitas coisas: talvez porque fosse menos que uma pessoa normal. Não sei dizer, mas isso é autocomiseração e é tão detestável quanto ignorância, mas no caso eu me sinto impotente. Qualquer desequilíbrio vai tirar meu chão e a vida parece cinza, solitária, o tempo parece passar em espasmos e o que me faz sentir pior é que o sexo (que nunca teve um papel tão importante na minha vida) está se revelando uma obsessão porque , assim como a maioria das pessoas -; não dos meu amigos que tem namoradas – ele é a úncia coisa que faz as relações terem sentido.

Será possível que não querer voltar ao antes, estar insatisfeito com o hoje e ter poucas esperanças para o futuro é melhor do que a profunda melancolia e falta de rumo de antes? Estou tomando consciência das coisas ou apenas sabotando minha vontade de me afirmar por medo de ser mal e ruim com os outros e me decepcionar? Fica difícil saber tbm como agir para ser feliz porque se eu tive dois anos de plena felicidade eu tive dois anos do mais pleno sofrimento. Esse peso me assombra, essa melancolia ataca meu fígado e a morte ronda esta casa. Isso porque tenho 25 anos e me sinto velho..

 

É um pouco triste admitir isso, mas estou me acostumando com a ideia de ser solitário de novo. Já não sofro tanto quanto eu era criança, mas isso não significa que eu não queira contato humano. É engraçado notar que voltei a não querer mais tanto contato humano por achar uma dose muito grande dele (sem medida) dolorosa. As relações no trabalho parecem efêmeras e muitos colegas já se foram de vez. Outros tenho a impressão desaparecerão em breves instantes. A expressão “relação de trabalho” faz ter enjoos fortes. Sério, eu tenho medo destas duas palavras juntas. Muitos amigos tem se distanciado e, sim, eu tenho experimentado o que chamam de solidão verdadeira. Tenho tentado combater isso com todas as minhas forças, mas anda sendo difícil nesse começo de carreira cuidar disso. Dramas adolescentes ou mensagens de amizade me parecem ruins. Engraçado que cair é rápido. Vc não sente tanto a queda, mas para se levantar. Foram 3 meses de luta para me reerguer e parecem anos de luta porque muitas vezes eu estou  sem o que fazer. Sinto que gostaria de trabalhar durante anos e só depois me lamentar que não tive uma vida, mas isso me parece uma saída fácil e mesquinha e que irá me trazer problemas no futuro bem mais sérios do que um pouco de dinheiro.

Meus pais estão envelhecendo e eu me sinto cada vez mais assustado com a perda deles e a possibilidade de ficar sozinho. De fato eu preciso me mover para ver o que farei, mas se não conseguir nada me resta o contentamento silencioso de um homem solteiro. o que me restará provavelmente será o trabalho e os estudos. terei de encontrar forças e sentido nisto. A verdade é que não ser mais criança me assusta, mas ter muito tempo livre mata minha disposição.  Me irrita a falta de postura de certos colegas, de maturidade, de perspectivas de vida, de projetos e etc. Isso porque eu fiz muito amigos que tinham os mesmos gostos, mas suas realidades financeiras, intelectuais, projetos, ilusões e mundinhos eram bem particulares. Convivi com gente que nem sempre me fez bem mesmo gostando delas. Certos problemas acabaram se transferindo para a minha pessoa e eu estava tentando achar um sentido na falta do que fazer. Minha adolescência foi tão movimentada que acabei me viciando nela. mesmo quando eu estava na faculdade (plenamente satisfeito) eu estava longe de videogames, televisão, perto dos estudos e aproveitando todo o tempo que não aproveitei no colégio. Estava vivendo o que não consegui viver. (Em partes, porque mesmo fora do colégio eu vivi muito bem, obrigado). Estava em meu ápice, mas enfim eu não quero estender o resto das considerações para ladainhas, portanto, basta o que eu disse aqui. 

Eu sei que o modelo do blog é obsoleto demais e de qualquer modo eu posto para não ser lido muitas vezes, mas é interessante ter isso  Digo a privacidade para organizar seu dia-a-dia. O Facebook não serve como diário. Acredito que eu não esteja inspirado para um grande texto e de fôlego, mas eu sinto que é uma época de mudanças e mais do que a racionalização eu preciso levar  minha vida para frente e tentar fazer mais do que estou fazendo.

Não que tenha algo de realmente espacial para fazer e nem nada, mas o fato é que eu preciso mudar e estou sentindo que estou sendo cobrado diariamente pra isso e preciso me adaptar. De qualquer modo o que eu posso fazer é tentar me manter focado por enquanto naquilo que me dá sustento financeiro, mas o fato é que estou insatisfeito sim com o pagamento que recebo, com as condições do trabalho, com essa insegurança e com, principalmente, a falta de uma companhia feminina que possa ficar ao meu lado.

Sinto que estou me centrando e superando traumas aos pouco, mas é duro esse crescimento e sinto ele doendo à cada instante. É óbvio que esta está sendo uma das fases mais duras da minha vida. Porque não estou me reerguendo rapidamente nem com titubeios. Se distrair com amigos está cada vez mais raro e aquele fantasma que assola minha consciência ( a solidão) se faz presente. Não é que as coisas tenham pedido sentido para mim, mas as coisas que já me fizeram alegres parecem menores.

Como assim? Amigos parecem distantes, minha vida parece mais colorida tempos atrás e sinto saudades da minha adolescência, mas ao mesmo tempo as obrigações do dia-a-dia me assolam e a instabilidade do mercado de trabalho me assusta. Se minha entrada no mercado de trabalho tivesse sido mais amena, talvez, eu não estivesse com tanto medo de perder um emprego. Chorar por uns 20 minutos seguidos e sentir a garganta doendo e os globos oculares um tanto inchados é sinal de muita instabilidade, mas, ao mesmo tempo eu costumo ser muito emocional e fazia tempo que não soltava meus sentimentos tanto assim.

O engraçado é tentar fazer tudo isso fazer sentido rememorando os tempos e o passado e sentindo um vazio enorme no peito no presente. Achando que não valho muita coisa entre os milhões. Claro, isso não é racional, isso é o cúmulo do desespero e é algo que nem deveria considerar porque eu sei que preciso me libertar da noção de ser totalmente especial. O caso é que, além de tudo, meus pais estão envelhecendo e isso me assusta. Eu acabei me acostumando com a ideia de que eles estão ficando mais velhos, mas o fantasma de perder eles me deixa mais desesperado ainda.

Segundo a minha analista eu tenho feito muito progresso nos meus desígnios e na minha carreira profissional. Acredito que só me livrei de um peso morto que era uma melancolia desnecessária e que me sufocava. Acredito, para ser sincero, que eu venha me acostumando com ideia de que devo ser infeliz, talvez, por essa ideia ser confortável e não exigir esforço de mim para melhorar como ser humano. sendo assim eu poderia agir como uma criança mimada e esperar mudanças advindas dos outros e não da minha própria pessoa. Até porque o peso da irresponsabilidade extrema foi quando eu cedi á tristeza e me deixei levar em relações ruins e ganhei um peso extra que estou precisando me livrar de verdade.

 

Ao mesmo tempo estou tentando arranjar soluções fáceis para o problemas da minha vida e jogando as responsabilidades para frente. isso está se refletindo em meu trabalho tanto é que se isolar não vai ajudar o que quer que tenha que fazer. Cumprir horários, fazer o necessário, o medo da reprovação. Eu acho que preciso me libertar dese fantasma da tristeza. Não é que pensamentos melancólicos não tenham espaço, mas no caso específico essa melancolia toda tem sido uma mordaça para ai nação.

Isso quer dizer que tomar uma atitude na media do possível. Meus esforços tem sido tortos e o que mais eu tenho feito tem sido reclamar, chorar pelos cantos e me sentir inapropriado ao meu ofício. Não é que precise falar que a vida vai ser a mais bela, mas se eu não conseguir conquistar à mim mesmo eu não irei superar tal crise. Ela não se deve aos outros como eu estou tentando fazer, mas não tanto ao mundo. As circunstâncias de fato ajudaram, mas eu ainda não acordei para perceber que eu preciso lutar e conseguir superar isso. Por mais que seja normal se sentir sozinho, isolado, triste, acho que a tristeza está se tornando muito constante em minha vida. Não quero perder eta batalha.

Acho que tenho até mais coisas para falar. Tenho sido muito insincero comigo mesmo acreditando no meu futuro sem fazer nada para melhorá-lo e não tenho encontrado forças. cada vez que e torna um ser humano mais vivido as exigências são cada vez maiores e essas fase de vida precisam ser vividas plenamente. Não poso arregar diante da vida porque senão eu não irei conquistar o que eu devo.

Aliás, eu acreditei que tinha mudado, mas o fato é que eu me declarei por vencido da vida achando que tinha ganho ela quando ainda sou jovem. Infelizmente, esculpem dizer isso, o que vai me deixar melhor é lutar mais, calar mais, seguir em frente e tentar fazer o que posso para modificar isso. Sorrir não é um gesto falso. A não ser que vc seja adolescente e queira mostrar sua cara de cu pro mundo, mas o gesto é importante para mim, não apenas para os outros.

Solanin

A primeira cosia a se falar de interesse é: eu li Solanin entre ontem e hoje de madrugada, mas que TEXTO! Que história. Eu havia lido uma resenha da obra Oyasumi punpun que havia traduzido para a página Japanholic Hyperdimension. Achando que, de fato, havia exageros na descrição da obra, mas lendo Solanin que é apenas um “conto” ou uma novela se comparado com a grande obra dele acho, por fim, que esse entusiasmo é mais que justificado.

Admito: a identificação se tornou fácil pelo momento da vida em que estou passando, mas creio que a temática seja muito bem trabalhada para ser uma mera ocasião de repercussão da obra. A experiência pode ser intensificada quando estamos dispostos a receber essa mensagem de forma mais fácil e sem entraves estando muito mais aptos a deixar essa experiência nos consumir de forma bem mais intensificada caso viéssemos com mais entraves. Porém, não acho que a obra seja reduzida à uma identificação imediata até porque a situação em si , embora diferente da minha, tem haver comigo nesse meu momento. Isso significa que se falou de algo específico, mas conseguiu-se manter a porta aberta para a imersão do leitor e essa identificação com uma história que, aparentemente, não é igual á sua por causa de certos detalhes, mas o grande demônio que me pegou está nesses detalhes.

A obra em si tem muitos jogos de multi-significações, dá reviravoltas, brinca com os sentimentos humanos de forma extraordinária etc etc A dança de sentimentos internos, conflituosos e a descrição de cada drama das personagens é algo único feito pelas mãos desse mestre que é Asano. Não porque eu esteja elevando artista, mas porque o trabalho dele com essa linguagem que é os quadrinhos trabalha em dois planos: a palavra poética e as imagens. Existem abstrações simples como em outras obras e existe um discurso coerente e progressivo com a mensagem em si sendo contada. Cada instância dessa história mostra um passo dentro da obra em si quando acabamos por analisar as reviravoltas e os dramas que são instalados. As dúvidas e as tragédias servem para dar significado à uma nova etapa.

 

A mensagem, apesar da melancolia instalada, tem haver, sim com o mundo atual, mas não se preocupa com a retratação fiel de um sistema econômico, mas com os sentimentos internos dessas personagem em si. Ou melhor: dessas personagens porque seria injusto negar que a obra começa em torno de um casal, mas acaba se tornando um drama do grupo em si que não deixa de ser enfocado de maneira consistente e sem espaço pra emoção fácil. A história chega a ser cruel e dá uns belos tapas na sua cara só para fazer você se sentir pior. Não se engane: a história não serve para indignar , mas serve para pensar. Uma mensagem positiva dá toda a sua forma e pra mim Solanin é muito mais honesto que muitos mangás por aí. Porque não empresta ao leitor respostas fáceis. Se é que empresta algo definitivo como uma resposta embalada em papel de cetim e contornos de laço de seda. Muitos diriam que é aqui que mora o perigo: uma obra aberta que não se conecta, mas o perigo maior é quando a obra não se abre para interpretações e não dá de certo modo uma mensagem. De qualquer modo Solanin não cai em nenhum dos dois extremos e é muito equilibrado nesse aspecto.

Ficar falando de todos os aspectos positivos da obra e destrinchar cada momento seria não destruir a obra, mas apenas implicar minha interpretação por intermédio da minha primeira leitura e que, por sinal, sempre pode ser questionada por alguém mais sensível e atento às múltiplas signicações de modo mais preciso e mais aberto. Não que eu queira me abster disso, e, sim, eu poderia ter sido mais curto, menos enfático em certos pontos e ter comunicado a mesma coisa nesse longo texto que, SIM, não trás nada de útil a não ser meu entusiasmo com essa obra. além de ser , de certo modo, masturbação terminológica e artística que, fora de contexto, parece mais uma bajulação ao mangá. Porém, essa não é a minha intenção, mesmo!. Acredite, eu tenho razões para não querer estragar um primeiro contato com a obra. Até porque eu prefiro me deter e reler o mangá com mais cuidado e frieza para poder dar uma análise justa mais tarde.

Queria evitar os dos extremos e acho que fui bem sucedido. Agora ao próximo assunto:

Hoshi no Samidere:

Uma frase:: Bokurano com mais textura.

Hoshi no Samidere eu acabei descobrindo por intermédio de um fórum de Tohou, mas como não acabei tenho pouco o que falar da obra. Sei que ela brinca muito com os estereótipos de Battle Shonens e desvirtua tudo possível e inverte as situações tratando realmente do crescimento das personagens. Não é uma desconstrução, mas uma releitura, ou melhor, um diálogo muito bom e interessante com a tradição do Battle Shonen que já empolgou muita gente por aí.

Tudo parece ser mais obscuro do que parece. Há niilismo e não há exatamente o envolvimento da personagem principal que se mantem frio ás causas nobres de uma “suposta salvação do mundo”, mas não deixa de ter relação com os Shonens que fizeram tanto a minha cabeça quando eu era mais novo e ainda estava ingressando nesse mundo de Animês e mangás.

É bom retornar aos mangás com um gênero que tanto apreciei, mas que ao mesmo tempo o coloca em questão e aprofunda coisas que um mangá Shonen não abordaria e, claro, sem se tornar algo alienígena aos estereótipos do gênero em questão e, sim, dialogar com os mesmos. Pegar um modelo pronto e o modificar pelo prazer de brincar com uma audiência é fantástico. Ainda mais  com um gênero tão repisado e parodiado! Para fazer isso de uma maneira original é bem mais difícil do que simplesmente criar algo “novo”. Mais difícil do que se imagina. Isso porque para seguir uma receita de bolo e tentar fazer um novo sabor ou uma nova textura ao invés de um pudim ou uma torta é quase um processo cirúrgico!

 

Recomendadíssimo.

 

Olá pessoas que estão lendo meu post por meio de links e avisos desse aguardado (ou não) post dentro do meu, relativamente, desconhecido blog.  A origem do post que se segue é referente a algumas questões que tem me infligido certo desconforto mediante o meio otaku, mais especificamente, o que se chamam de Fujoshis.

Pelo que sei Fujoshis tem dois significados amplos, mas, o que será usado nessa postagem, são mulheres fãs do gênero Yaoi. Não irei me deter nos pormenores da constituição e nem da arte Yaoi pelo fato de eu mesmo conhecer muito pouco sobre essa arte “milenar e secreta” como muitas vezes ela parece ao fã de animações Japonesas. Vulgarmente, chamado no BR de otaku. Polêmicas com esse nome tão pouco serão debatidas.

Minha experiência com esse grupo tem sido ruim e até mesmo tensa. Sendo que constitui um ódio pouco comum dentro desse nicho do nicho que é como se pode definir esse grupo. É bom notar, entretanto, que eu mesmo faço parte de grupos de nicho: sou jogador não casual de games de RPG, especificamente, os famosos JRPGs. Amo RPG de mesa e tenho uma carga de animês vasta.  Sendo assim, não me enquadro nem tanto em algum nicho como, também,  não sou parte do público “geral” otaku. Deixo isso claro como defesa prévia sob futuras acusações em cima das afirmações à seguir. Se você tem problemas com preconceito, afirmações categóricas,  generalizações, insinuações de ódio, Flame War generalizado e não gosta de polêmica, por favor, se abstenha da discussão. Ela será tudo menos amena, mas, claro, haverá respeito.

Acho que outros esclarecimentos são necessários porque eu irei fazer uma crítica severa e ácida ao fato do que é ser Fujoshi. Portanto, baseado em uma experiência limitada, e, portanto, pouco realista do modo quantitativo de como é o real comportamento de uma menina dessas na vida real irei traçar o que para mim é o perfil dessas fãs. Conheço pessoas (garotas) inteligentíssimas, sensíveis e muito mais bem sucedidas que eu que cairiam nessa categoria de Fujoshi.

Fazer Shippagem (esperar pela concretização de um casal ou de um romance) em uma série é uma prática comum não restrita ao gênero. Na verdade, o Romance e a expectativa de um caso amoroso é atribuído a noveleiras, mas isso está longe de ser a realidade. Isso se aplica às Fujoshis com relação aos casos amorosos homossexuais entre seus protagonistas de mangás. O gênero yaoi veio cobrir essa exigência mais que específica de um público crescente. A perversão do gênero Moe surgiu disso assim como outros elementos e modificações diante das exigências estéticas de públicos específicos.

Há, portanto, um mercado que foi constituído por exigências específicas de um grupo dentro de um grupo. Okay, mas e daí?! Acontece que essa especificação saiu do controle. O próprio termo Fujoshi (assim como otaku) é um termo revestido de preconceito e insinuações maldosas. Ele siginifica literalmente menina podre ou mulher apodrecida. Algo similar poderia ser o correto. Não me importa o que é exatamente, mas que o termo é pejorativo e indica um certo desvio de caráter.

Não estou afirmando que ter prazer em observar relações homossexuais com afinco e fazer shipping seja ruim. Todo mundo fez shipping na vida em algum momento. Saiba disso ou não. Seja por gostar de séries ou acompanhar qualquer tipo de produção seriada que tenha romance. O problema é o nível e a importância atribuídos à isso. Observar as relações entre Syaoran, Toya e Sakura e querer que o romance seja generalizado e mesmo se comover com o amor entre dois homens pode ser uma experiência “diferente”. Porém, as relações e o modo como é tratado são interessantes. Amor, amizade e romance não tem limites de gênero.

O grafismo dessas relações, entretanto, incomoda muita gente, portanto, se manteve esse tipo de mangá na gaveta de fãs e de circulação restrita. Incomoda pelo exagero das proporções e a delicadeza afeminada e extremada dos homens  havendo a transfiguração do masculino para o feminino das personagens masculinas. o tem todo o poder de incomodar aos mais conservadores. Não que esse modelo seja ruim em si. Na verdade é um padrão da cultura Japonesa a beleza afeminada e o tratamento das feições belas como mais delicadas.

Então onde reside o problema, pergunta o leitor? Agora é que o pau vai comer! No público, oras. Desculpe, mas é o público que torna essa prática de gostar e de cultuar insuportável. Em geral, os fãs tendem a tratar com seriedade demais aquilo que eles cultuam. As Fujoshis não são exceção nesse quesito, mas elas estendem seu interesse que é específico para quem não quer ver e nem se sente confortável com isso. Imagine alguém querendo convencer vc que um filme de um diretor Expressionista alemão que trata de sindicatos e política seja interessante. É quase uma escola e doutrina em certos aspectos.

As “fãs de Yaoi” mostram imagens, divulgam seus trabalhos e mantem entre si esse interesse, mas existe sempre a divulgação indevida de um gosto alheio à um público. Seja por meio de choque de mostrar homens com corpos delgados se pegando ou cenas de penetração anal masculina em redes sociais. Não tão comum, mas vira e mexe acontece.

Em geral, elas constituem um grupo fechado de restrito interesse. Muitas delas não gostam de mangá: nem shoujo, Josei e , especialmente, shonen, apenas Yaoi. Dentro dessa atitude há assimilado a elas um movimento de que o mangá Yaoi inventou muita coisa dos outros mangás e afirmações da qualidade superior como arte dessas produções. Havendo uma supervalorização e uma “inflação” de valores agregados às obras. Diz-se, comumente, que nenhuma outra obra consegue tratar romances e relações afetivas com tamanha seriedade como as referidas obras.

Existe, também, por extensão, a atribuição de certas obras e autores ao rol do Yaoi e uma apropriação dessas obras para o gênero em si. Assim como muitas vezes existe dentro de certos limites a afirmação de que certas obras são exclusivas para mulheres. O que não restringe aos mangás, mas às obras literárias. Jane Austen sofre desse mesmo mal. Só que é uma literatura que pode ser dita feminina e se fosse assim com essas obras estaria bem. Porém, existe uma expansão forçada do gênero à quem não se interessa por esse tipo de temática.

Portanto, o gênero tem sua origem, seu grupo de fãs, mas muitas vezes essa exaltação na defesa do gênero em si e da necessidade de se dizer fã acaba por se criar essa imagem ruim. Afinal, invadir o espaço alheio com temas e propostas que tem interesse específico e restrito é muito despudorado e mal educado.

 

É de praxe que uma pessoa transforme sua área, de certo modo, em um tema recorrente das suas próprias reflexões e os temas por elas abordados em suas várias práticas fora do âmbito profissional propriamente dito. Isso se aplica às mais diversas atividades diárias, incluindo os hobbies e muitas vezes há a aplicação desses padrões de pensamento e essas formulações como um modus operandi e um tipo de porto-seguro. Uma zona de conforto, afinal, você se formou nisso e adquiriu um jargão, uma identidade que te distingue dos outros.

 

De certo modo esses “vícios” estão presentes em minhas leituras e a forma como encaro cada obra. Procuro, sim, levar bastante a sério meus hobbies, porém, chega uma hora que  é bom exteriorizar essas leituras para separar aquilo que é diversão e hobby do que é conhecimento útil e aplicável às situações de trabalho e formação educadora. Certamente os modelos de leitura de texto servem a essas obras de que tanto gosto. Incluindo-se a particularidade de sua linguagem que deveria ser objeto de estudos específicos.

 

Isso mostra como cada cultura, cada texto podem diferenciar os tipos de leitura. Ler um gibi passa por várias etapas, por exemplo, e até mesmo um aprendizado de uma linguagem específica dependendo do tipo de quadrinho. O primeiro passo é reconhecer que a arte sequencial – ou os quadrinhos se preferir – é um misto de texto e imagens. Isso altera o modo de expressão e a aplicação da língua nele. A leitura se configura, portanto, de maneira diferente pelo fator imagem + texto = narrativa em sequência. Configura-se até um modo diferente de se ler porque o texto não é apenas escrito.

 

A aplicabilidade apenas dos modelos de leitura da escrita tradicionais, como orientação para leitura dessas obras , perde o sentido nesse tipo de texto. A escola tem – ou tinha a mania de tratar o texto por meio da decodificação de um código escrito-  e aplicar um modelo padrão para o aprendizado da língua modelo. Centrava, dessa forma, seus esforços na aquisição desse código. Reduzia-se o processo leitor à gramática e ao código escrito: alfabetização e aquisição da língua padrão. Objetivos que dentro dos PCNs são válidos e devem ser tratados com a devida seriedade para que essa pessoa se integre no modelo padrão de linguagem, mas incompleta , ainda  assim na proposta adotada de integração e uso pleno da língua.

 

A língua e suas formas de expressão se refletem por meio de várias linguagens em que ora ela é o elemento principal , ora apenas um dos elementos que compõem a mensagem ou em que ela é apenas suporte. Porém, um  dos objetivo do professor de língua é fazer o aluno se conscientizar disso. Uma das melhores maneiras de falar dessa aplicabilidade está na  semiótica que induz, em suas várias vertentes e estudos específicos, a uma descoberta das ideias por trás das mensagens. Fala-se daquilo que está fora do que a palavra diz e declara: o implícito e a construção de significados por meio dessas ideias.

 

Há propriamente o modelo de leitura desejado pelos estudos modernos de leitura e interpretação de texto. Fala-se muito de inferência, coerência (sim, coerência), leitura em vários níveis, mas pouco se aplica dessas terminologias por meio de conhecimentos práticos  e integrados para a leitura efetiva de textos reais.

Eu poderia até dizer que existe uma facilitação e simplificação para unir o útil ao agradável. O grande problema é que, comprovadamente, isso forma “leitores” preguiçosos. A falta de desafio e o conforto causam, inclusive, desinteresse e o assunto torna-se trivial para o aluno. Claro exemplo disso são os textos dos contos de fada e sua decifração. Uma atividade muito gostosa é na verdade apenas a reafirmação de textos passados oralmente e cujo conteúdo é conhecido previamente pelos alunos. A análise deles e a leitura, muitas vezes orientada, pouco trás de novo e a leitura flui justamente por não trazer desafios e tudo aquilo ser mais ou menos conhecido por eles.

Muito se critica o uso de textos difíceis na escola por não despertarem  o interesse e é este  um dos motivos  das crianças não aprenderem a ler. Até certo ponto, isso é uma meia verdade: o pouco critério de seleção e avaliação de quando e como se deve trabalhar o texto na escola é um mal que deveria, na verdade, ser apontado e corrigido. A falta de desafios causa ócio e preguiça de realizar uma atividade que, de certo modo, é intelectual e mecânica ao mesmo tempo. Adquire-se a fluência na leitura pelo hábito e pela crítica. Isso deve ser mostrado e orientado na escola de maneira efetiva por meio de exercícios práticos. O aluno deve encarar o texto e enfrentar suas dificuldades. Precisa , para isso, ser orientado a proceder de determinadas maneiras com os textos. O uso de dicionários, conhecimento prévio, mobilização de modelos, previsão, releitura e proposição de hipóteses são elementos fundamentais para a leitura efetiva de um texto.

 

Estudos provam que o mais comum é que se assimile esse modelo de leitura não pela exposição dele, mas pela observação em certos contextos que não são propriamente orientados com esse objetivo. Digamos assim que observar os atos leitores dos familiares em uma família letrada é o mais natural, mas quando esse conhecimento não é passado ou visto (observado empiricamente) a tendência é o insucesso na formação de leitores.

 

Pense assim: a aquisição da fluência leitora é observada e vista, mas como poderia haver uma compreensão total desse processo se o ato de ler é estranho ao aluno? Se, por acaso, o aluno não tem orientação e apenas observa em suas atividades diárias escolares (caso tenha acesso à escola) ele irá, provavelmente, observar certos hábitos de pessoas que leem e aplicar alguns deles. Entretanto, como a leitura não pode ser medida de maneira objetiva e de maneira efetivamente mensurável, portanto; a observação acaba sujeita a lacunas.

 

Apreende-se um conhecimento  empírico por meio da prática, sendo assim, o conhecimento das regras da língua e a noção do código é apenas uma via de acesso ao texto: uma primeira etapa para a aplicação prática desse conhecimento ,sendo a base fundamental dessa prática, mas não o elemento que a torna  mais significativa. Os hábitos leitores, os processos e as inferências podem ser aplicados por meio de exercícios concebidos para essa fluência se tornar um hábito.

 

Isso deve ser exposto, mostrado e, principalmente, exigido em exercícios que visem essa construção para uma melhor fluidez com a leitura e interação com o texto escrito e oral. A avaliação da leitura por meio de notas e  a memorização institui uma obrigatoriedade predatória e resulta em fracasso da escola em formar leitores, afinal, essas informações podem ser adquiridas por meio de outros textos. Não se fez ler a obra e nem enfrentar o texto e ter uma melhor consciência dos usos da língua. Apenas se trocou um texto mais longo por um mais curto, afinal, a experiência leitora e a expressão  de um texto estético não são restritos apenas ao seu conteúdo. Se for assim, a obra literária perde seu sentido, sendo  seu propósito maior digerido por uma concepção  conteudista e predatória.

 

O aluno em si não errou ao proceder assim. Ele foi atrás de uma informação com um objetivo concreto, leu e estudou. Boicotando  a leitura do livro e se concentrando no seu objetivo: apreender as informações que serão cobradas no exame do livro. O problema é que tanto ele quanto o professor saíram prejudicados porque na soma desses fatores nem se criou e instaurou um conhecimento e um hábito leitor.  Portanto, não se criou um interesse por esses textos pelo fato de que essa artificialidade torna o objetivo desse texto anacrônico e completamente fora de qualquer interesse que se possa ter diante de um texto cujos objetivos diferem dos objetivos educacionais  estabelecidos : ao instituir uma prova que cobre fatos, datas e concepções estéticas que são aplicáveis, na maioria das vezes, em um estudo histórico, por exemplo .

 

Torna-se assim o texto literário – como vários textos  do cotidiano – alienado do seu propósito e estranho ao aluno e aos seus objetivos. Não o torna eficiente na prática da leitura de um gênero e tipo de texto específico e nem mobiliza conhecimentos que são práticos e úteis para qualquer leitura. Isola-se o objeto tornando-o estranho e desmembrado da prática cotidiana que os alunos – futuros trabalhadores de suas áreas – irão utilizar. O conhecimento dessas ferramentas linguísticas  e sua aquisição seria o único modo de fazer os textos se tornarem mais interessantes para a  aplicabilidade daquilo que lhes  interessa. Tudo isso não deve ser desculpa para uma simplificação em prol de uma didática que não vá lhes trazer desafios.

Faz muito tempo que não posto nada por aqui. Irei postar mesmo sabendo que ninguém lê esses posts salvo os colegas e amigos que eu direciono e, eventualmente, algum conhecido. Prefiro postar minhas ideias em fóruns, mas quando sinto que os textos que escrevo tem valor de diário ou mesmo um registro de opinião muito pessoal publico-o por aqui para DEPOIS veicular em outros blogs os quais participo. Neste caso não farei de maneira diferente. Acho que o texto logo abaixo é muito pessoal para se levar a sério.

Estava para escrever esse texto faz tempo. Na verdade era a minha ideia desde o começo do semestre, mas não consegui arranjar tempo nem espaço para isso. Ironicamente as circunstâncias que me levaram a escrever tal texto não são das mais nobres. Talvez, até infantis por não conseguir aceitar como o mundo gira em torno de você e como as coisas mudam. Tal estado de idealidade que é proveniente, dizem alguns, de um estado infantil de ego.  Tenho certeza que muitos de vocês devem estar tentando adivinhar sobre o que vou falar. Certamente não é sobre Sakura Card Captors e como o mundo é cor-de-rosa.

O assunto que vou desenvolver ficou na geladeira tempo demais esperando uma boa oportunidade para sair. Tem haver com Mahou Shoujo. Para quem não sabe o que raios é isso eu explico. Mahou Shoujo é um gênero pelo qual desenhos japoneses (animês, duh) que são assim classificados por se referirem à temática de um grupo de meninas jovens ou jovens adultas, como nas séries mais antigas como Sailor Moon, que combatiam monstros e forças sobrenaturais malignas. Um modelo clássico tirado de séries Japonesas Live-Action. Essas séries tiveram sua origem devido ao sucesso da série A Feiticeira.

O que isso tudo tem haver com as ocorrências do seu dia-a-dia e com o fato de você ter se decepcionado com algo que você presenciou? Não muito, na verdade, pensando logicamente e com um raciocínio perfeito. Até porque o texto que estou escrevendo é apenas fruto de um delírio meu e, portanto, como já disse é uma reflexão puramente pessoal. Mahou Shoujo Madoka Magicaé um animê, do meu ponto de vista, pelo menos, que fala sobre as implicações de um contrato. Ele fala sobre sacrifício, mas esse sacrifício nunca é mostrado de forma positiva. A única personagem que tentou fazer seu próprio caminho [Sayaka] acabou morrendo em prol da própria ilusão de que ela poderia tornar um ideal em algo que pudesse ser levado ao máximo.

O problema é: em Madoka cada esforço lidera as personagens diretamente para uma conclusão ruim em direção ao seu fim. Kyubei explicita isso muito bem em seu discurso quando diz que a partir do momento que você estabelece o seu desejo você sela seu destino. Algo que se refere certamente a fausto e o tema de vender sua alma por um desejo.  O grande problema é que esse desejo, como esperado, trará eventualmente o seu fim. O sacrífico em Madoka, eu ouso dizer, é vão assim como qualquer esforço.  Qualquer ação tomada de maneira impetuosa acabará em tragédia, mas mais que isso qualquer atitude tomada com um objetivo nobre acaba em frustração e eventualmente em tragédia.

Alguns exemplos seriam suficientes para isso. Selecionarei dois exemplos de um mesmo caso que chamam a atenção pela sua força dramática: o caso da personagem Sayaka mencionado acima que deseja algo em prol de outro ser humano e sua sede por justiça. Ilusões que acabam a levando para a sua destruição. A sensação de desespero e impotência diante das possibilidades de ação é algo a se notar em sua trágica história. Existe um modo como agir para caçar as bruxas, mas esse método não permite salvar vidas, apenas esperar para que a bruxa cresça pela engorda de suas vítimas enquanto ela vai crescendo até despertar totalmente. Obviamente, há algo errado em um método desses considerando que supostamente sendo uma Garota Mágica (Mahou Shoujo) Sayaka deveria proteger pessoas e não esperar que a bruxa faça vítimas o bastante para poder abatê-la. O problema é: os objetivos do contratante são díspares do que é proposto inicialmente, mas ao mesmo tempo nenhuma mentira foi contada: luta-se pelo seu próprio desejo e você há de morrer com esse desejo, afinal, você pagou por ele com sua vida.

Não aceitando isso Sayaka acredita que poderia lutar por justiça. Sem talento, sem poder e muito impetuosa acaba cavando sua própria cova no processo. Fazendo movimentos imprudentes e tomando decisões ruins que a levam a coletar pouca energia limando as possibilidades de limpar a sua Soul Gem. Afinal, Sayaka lutava contra familiares e estes não dão o item o qual as Mahou Shoujo mais precisam para manter as suas Soul Gems limpas: as Grief Seeds.

Essa luta em vão contra todos os fatores, que chega a contradizer o bom senso e beira a imprudência, poderia ser visto como heroica pelo próprio discurso da personagem Sayaka que acredita em seus ideais deseja algo para outra pessoa que não ela mesma. Ela pretende sacrificar a si mesma em última instância, mas não consegue lidar com o fato de que seu martírio, sua luta fracassada e sem frutos possa ser menosprezada.

O mundo ainda gira de modo independente das vontades e ilusões, ideias e promessas. Todo tipo de fantasia é limado quando no episódio 8 da série após ver seu desejo pelo bem estar de um garoto ter sido em vão. Afinal, sua amiga que não sacrificou nada para chegar até ele consegue facilmente persuadi-lo a começar algo entre eles. Enquanto isso, Sayaka cujo sacrifício e o desejo revolviam sobre o garoto que teve um acidente que imobilizou suas mãos foi desperdiçado. O garoto abandonou o hospital logo após a recuperação, tratou-a mal e nem ao menos disse um obrigado pelos dias que passou com ela e pelo carinho e preocupação. Nenhuma palavra foi emitida.  Eu, particularmente, acredito que todos nós lutamos por algo que é certo, porém, o desespero e a insistência de Sayaka em um ideal e um padrão de um comportamento idealizado de defensora das pessoas comuns e dos fracos se originaram por parte do próprio desespero da mesma.

Eu explico com detalhes isso. Embora eu ache que esteja evidente que ela tenha perdido sua razão de existir e para suprimir isso tentou com todas as forças caçar algo pelo qual pudesse se apoiar, mas não conseguindo tentou se sustentar nas histórias de garotas mágicas que havia ouvido falar, dos contos de fada e das histórias de heróis. Infelizmente, por mais que a magia exista em Mahou Shoujo Madoka Mágica, como mesmo disse Sakura Kyoko, a magia é algo para uso pessoal. Ela serve para alcançar aquilo que uma pessoa deseja e não para ajudar os outros. Esse foi o grande erro de Sayaka. Tomar o milagre da magia como algo que pudesse ser transferido para outra pessoa, fazendo o seu desejo que seria a sua única razão para lutar, afinal, ela trocou sua própria alma em prol disso.

Esse arco apresenta um teor dramático bem desenvolvido fazendo com que o desespero seja exposto de maneira a deixar evidente que ela está cega pela sua própria necessidade de enxergar algo no qual ela possa se apoiar. Quando ela descobre que sua luta é algo que jamais será relevante em um nível consciente sua mente fica desconcertada. A última barreira de defesa entre sua sanidade e sua insanidade se dá quando ela escuta a conversa de um homem sobre sua própria mulher.

Ela que sacrificou tudo por ele, que o ama acha que está fazendo a coisa certa. Ele em contrapartida zomba disso. Algo similar com o próprio caso de Sayaka?! Eu arriscaria um sim nesse caso por ser bem próximo do que ela possa estar sentindo e de sua própria história. Pelo menos em parte. Indignada ela sucumbe e é revelado, por meio de sua transformação, na série de forma bombástica que as Mahou Shoujo são, infelizmente, bruxas e vice-versa. São apenas estados diferentes de uma mesma natureza e um tipo de energia. Um fim, particularmente, triste para uma personagem que tentou lutar contra a maré na esperança de se manter sã e sucumbiu à própria imprudência.

O mais irônico é que com isso sua morte, assim como a de Mami, que morreu no fim do terceiro episódio, é anônima. Luta-se por si mesma e morre-se só sem mais ninguém que a apoie ou possa entender o porquê a razão para lutar possa ser importante, afinal, ela é pessoal e intransferível. A razão é apenas sua e é seu dever encarar suas consequências solitariamente. Essa razão deveria ser o seu desejo, mas como ela abdicou de seu desejo por outra pessoa ela nunca ganhou algo em troca. Sendo assim seu destino foi sucumbir ao desespero. Perdendo sua razão de viver, embora ela não se arrependa de seu próprio desejo. Isso está dito na série, mas eu revogo essa visão, parcialmente, por saber que nada de frutífero veio de tal desejo e ele foi o estopim para seu fim trágico.