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Solanin

A primeira cosia a se falar de interesse é: eu li Solanin entre ontem e hoje de madrugada, mas que TEXTO! Que história. Eu havia lido uma resenha da obra Oyasumi punpun que havia traduzido para a página Japanholic Hyperdimension. Achando que, de fato, havia exageros na descrição da obra, mas lendo Solanin que é apenas um “conto” ou uma novela se comparado com a grande obra dele acho, por fim, que esse entusiasmo é mais que justificado.

Admito: a identificação se tornou fácil pelo momento da vida em que estou passando, mas creio que a temática seja muito bem trabalhada para ser uma mera ocasião de repercussão da obra. A experiência pode ser intensificada quando estamos dispostos a receber essa mensagem de forma mais fácil e sem entraves estando muito mais aptos a deixar essa experiência nos consumir de forma bem mais intensificada caso viéssemos com mais entraves. Porém, não acho que a obra seja reduzida à uma identificação imediata até porque a situação em si , embora diferente da minha, tem haver comigo nesse meu momento. Isso significa que se falou de algo específico, mas conseguiu-se manter a porta aberta para a imersão do leitor e essa identificação com uma história que, aparentemente, não é igual á sua por causa de certos detalhes, mas o grande demônio que me pegou está nesses detalhes.

A obra em si tem muitos jogos de multi-significações, dá reviravoltas, brinca com os sentimentos humanos de forma extraordinária etc etc A dança de sentimentos internos, conflituosos e a descrição de cada drama das personagens é algo único feito pelas mãos desse mestre que é Asano. Não porque eu esteja elevando artista, mas porque o trabalho dele com essa linguagem que é os quadrinhos trabalha em dois planos: a palavra poética e as imagens. Existem abstrações simples como em outras obras e existe um discurso coerente e progressivo com a mensagem em si sendo contada. Cada instância dessa história mostra um passo dentro da obra em si quando acabamos por analisar as reviravoltas e os dramas que são instalados. As dúvidas e as tragédias servem para dar significado à uma nova etapa.

 

A mensagem, apesar da melancolia instalada, tem haver, sim com o mundo atual, mas não se preocupa com a retratação fiel de um sistema econômico, mas com os sentimentos internos dessas personagem em si. Ou melhor: dessas personagens porque seria injusto negar que a obra começa em torno de um casal, mas acaba se tornando um drama do grupo em si que não deixa de ser enfocado de maneira consistente e sem espaço pra emoção fácil. A história chega a ser cruel e dá uns belos tapas na sua cara só para fazer você se sentir pior. Não se engane: a história não serve para indignar , mas serve para pensar. Uma mensagem positiva dá toda a sua forma e pra mim Solanin é muito mais honesto que muitos mangás por aí. Porque não empresta ao leitor respostas fáceis. Se é que empresta algo definitivo como uma resposta embalada em papel de cetim e contornos de laço de seda. Muitos diriam que é aqui que mora o perigo: uma obra aberta que não se conecta, mas o perigo maior é quando a obra não se abre para interpretações e não dá de certo modo uma mensagem. De qualquer modo Solanin não cai em nenhum dos dois extremos e é muito equilibrado nesse aspecto.

Ficar falando de todos os aspectos positivos da obra e destrinchar cada momento seria não destruir a obra, mas apenas implicar minha interpretação por intermédio da minha primeira leitura e que, por sinal, sempre pode ser questionada por alguém mais sensível e atento às múltiplas signicações de modo mais preciso e mais aberto. Não que eu queira me abster disso, e, sim, eu poderia ter sido mais curto, menos enfático em certos pontos e ter comunicado a mesma coisa nesse longo texto que, SIM, não trás nada de útil a não ser meu entusiasmo com essa obra. além de ser , de certo modo, masturbação terminológica e artística que, fora de contexto, parece mais uma bajulação ao mangá. Porém, essa não é a minha intenção, mesmo!. Acredite, eu tenho razões para não querer estragar um primeiro contato com a obra. Até porque eu prefiro me deter e reler o mangá com mais cuidado e frieza para poder dar uma análise justa mais tarde.

Queria evitar os dos extremos e acho que fui bem sucedido. Agora ao próximo assunto:

Hoshi no Samidere:

Uma frase:: Bokurano com mais textura.

Hoshi no Samidere eu acabei descobrindo por intermédio de um fórum de Tohou, mas como não acabei tenho pouco o que falar da obra. Sei que ela brinca muito com os estereótipos de Battle Shonens e desvirtua tudo possível e inverte as situações tratando realmente do crescimento das personagens. Não é uma desconstrução, mas uma releitura, ou melhor, um diálogo muito bom e interessante com a tradição do Battle Shonen que já empolgou muita gente por aí.

Tudo parece ser mais obscuro do que parece. Há niilismo e não há exatamente o envolvimento da personagem principal que se mantem frio ás causas nobres de uma “suposta salvação do mundo”, mas não deixa de ter relação com os Shonens que fizeram tanto a minha cabeça quando eu era mais novo e ainda estava ingressando nesse mundo de Animês e mangás.

É bom retornar aos mangás com um gênero que tanto apreciei, mas que ao mesmo tempo o coloca em questão e aprofunda coisas que um mangá Shonen não abordaria e, claro, sem se tornar algo alienígena aos estereótipos do gênero em questão e, sim, dialogar com os mesmos. Pegar um modelo pronto e o modificar pelo prazer de brincar com uma audiência é fantástico. Ainda mais  com um gênero tão repisado e parodiado! Para fazer isso de uma maneira original é bem mais difícil do que simplesmente criar algo “novo”. Mais difícil do que se imagina. Isso porque para seguir uma receita de bolo e tentar fazer um novo sabor ou uma nova textura ao invés de um pudim ou uma torta é quase um processo cirúrgico!

 

Recomendadíssimo.

 

Olá pessoas que estão lendo meu post por meio de links e avisos desse aguardado (ou não) post dentro do meu, relativamente, desconhecido blog.  A origem do post que se segue é referente a algumas questões que tem me infligido certo desconforto mediante o meio otaku, mais especificamente, o que se chamam de Fujoshis.

Pelo que sei Fujoshis tem dois significados amplos, mas, o que será usado nessa postagem, são mulheres fãs do gênero Yaoi. Não irei me deter nos pormenores da constituição e nem da arte Yaoi pelo fato de eu mesmo conhecer muito pouco sobre essa arte “milenar e secreta” como muitas vezes ela parece ao fã de animações Japonesas. Vulgarmente, chamado no BR de otaku. Polêmicas com esse nome tão pouco serão debatidas.

Minha experiência com esse grupo tem sido ruim e até mesmo tensa. Sendo que constitui um ódio pouco comum dentro desse nicho do nicho que é como se pode definir esse grupo. É bom notar, entretanto, que eu mesmo faço parte de grupos de nicho: sou jogador não casual de games de RPG, especificamente, os famosos JRPGs. Amo RPG de mesa e tenho uma carga de animês vasta.  Sendo assim, não me enquadro nem tanto em algum nicho como, também,  não sou parte do público “geral” otaku. Deixo isso claro como defesa prévia sob futuras acusações em cima das afirmações à seguir. Se você tem problemas com preconceito, afirmações categóricas,  generalizações, insinuações de ódio, Flame War generalizado e não gosta de polêmica, por favor, se abstenha da discussão. Ela será tudo menos amena, mas, claro, haverá respeito.

Acho que outros esclarecimentos são necessários porque eu irei fazer uma crítica severa e ácida ao fato do que é ser Fujoshi. Portanto, baseado em uma experiência limitada, e, portanto, pouco realista do modo quantitativo de como é o real comportamento de uma menina dessas na vida real irei traçar o que para mim é o perfil dessas fãs. Conheço pessoas (garotas) inteligentíssimas, sensíveis e muito mais bem sucedidas que eu que cairiam nessa categoria de Fujoshi.

Fazer Shippagem (esperar pela concretização de um casal ou de um romance) em uma série é uma prática comum não restrita ao gênero. Na verdade, o Romance e a expectativa de um caso amoroso é atribuído a noveleiras, mas isso está longe de ser a realidade. Isso se aplica às Fujoshis com relação aos casos amorosos homossexuais entre seus protagonistas de mangás. O gênero yaoi veio cobrir essa exigência mais que específica de um público crescente. A perversão do gênero Moe surgiu disso assim como outros elementos e modificações diante das exigências estéticas de públicos específicos.

Há, portanto, um mercado que foi constituído por exigências específicas de um grupo dentro de um grupo. Okay, mas e daí?! Acontece que essa especificação saiu do controle. O próprio termo Fujoshi (assim como otaku) é um termo revestido de preconceito e insinuações maldosas. Ele siginifica literalmente menina podre ou mulher apodrecida. Algo similar poderia ser o correto. Não me importa o que é exatamente, mas que o termo é pejorativo e indica um certo desvio de caráter.

Não estou afirmando que ter prazer em observar relações homossexuais com afinco e fazer shipping seja ruim. Todo mundo fez shipping na vida em algum momento. Saiba disso ou não. Seja por gostar de séries ou acompanhar qualquer tipo de produção seriada que tenha romance. O problema é o nível e a importância atribuídos à isso. Observar as relações entre Syaoran, Toya e Sakura e querer que o romance seja generalizado e mesmo se comover com o amor entre dois homens pode ser uma experiência “diferente”. Porém, as relações e o modo como é tratado são interessantes. Amor, amizade e romance não tem limites de gênero.

O grafismo dessas relações, entretanto, incomoda muita gente, portanto, se manteve esse tipo de mangá na gaveta de fãs e de circulação restrita. Incomoda pelo exagero das proporções e a delicadeza afeminada e extremada dos homens  havendo a transfiguração do masculino para o feminino das personagens masculinas. o tem todo o poder de incomodar aos mais conservadores. Não que esse modelo seja ruim em si. Na verdade é um padrão da cultura Japonesa a beleza afeminada e o tratamento das feições belas como mais delicadas.

Então onde reside o problema, pergunta o leitor? Agora é que o pau vai comer! No público, oras. Desculpe, mas é o público que torna essa prática de gostar e de cultuar insuportável. Em geral, os fãs tendem a tratar com seriedade demais aquilo que eles cultuam. As Fujoshis não são exceção nesse quesito, mas elas estendem seu interesse que é específico para quem não quer ver e nem se sente confortável com isso. Imagine alguém querendo convencer vc que um filme de um diretor Expressionista alemão que trata de sindicatos e política seja interessante. É quase uma escola e doutrina em certos aspectos.

As “fãs de Yaoi” mostram imagens, divulgam seus trabalhos e mantem entre si esse interesse, mas existe sempre a divulgação indevida de um gosto alheio à um público. Seja por meio de choque de mostrar homens com corpos delgados se pegando ou cenas de penetração anal masculina em redes sociais. Não tão comum, mas vira e mexe acontece.

Em geral, elas constituem um grupo fechado de restrito interesse. Muitas delas não gostam de mangá: nem shoujo, Josei e , especialmente, shonen, apenas Yaoi. Dentro dessa atitude há assimilado a elas um movimento de que o mangá Yaoi inventou muita coisa dos outros mangás e afirmações da qualidade superior como arte dessas produções. Havendo uma supervalorização e uma “inflação” de valores agregados às obras. Diz-se, comumente, que nenhuma outra obra consegue tratar romances e relações afetivas com tamanha seriedade como as referidas obras.

Existe, também, por extensão, a atribuição de certas obras e autores ao rol do Yaoi e uma apropriação dessas obras para o gênero em si. Assim como muitas vezes existe dentro de certos limites a afirmação de que certas obras são exclusivas para mulheres. O que não restringe aos mangás, mas às obras literárias. Jane Austen sofre desse mesmo mal. Só que é uma literatura que pode ser dita feminina e se fosse assim com essas obras estaria bem. Porém, existe uma expansão forçada do gênero à quem não se interessa por esse tipo de temática.

Portanto, o gênero tem sua origem, seu grupo de fãs, mas muitas vezes essa exaltação na defesa do gênero em si e da necessidade de se dizer fã acaba por se criar essa imagem ruim. Afinal, invadir o espaço alheio com temas e propostas que tem interesse específico e restrito é muito despudorado e mal educado.

 

É de praxe que uma pessoa transforme sua área, de certo modo, em um tema recorrente das suas próprias reflexões e os temas por elas abordados em suas várias práticas fora do âmbito profissional propriamente dito. Isso se aplica às mais diversas atividades diárias, incluindo os hobbies e muitas vezes há a aplicação desses padrões de pensamento e essas formulações como um modus operandi e um tipo de porto-seguro. Uma zona de conforto, afinal, você se formou nisso e adquiriu um jargão, uma identidade que te distingue dos outros.

 

De certo modo esses “vícios” estão presentes em minhas leituras e a forma como encaro cada obra. Procuro, sim, levar bastante a sério meus hobbies, porém, chega uma hora que  é bom exteriorizar essas leituras para separar aquilo que é diversão e hobby do que é conhecimento útil e aplicável às situações de trabalho e formação educadora. Certamente os modelos de leitura de texto servem a essas obras de que tanto gosto. Incluindo-se a particularidade de sua linguagem que deveria ser objeto de estudos específicos.

 

Isso mostra como cada cultura, cada texto podem diferenciar os tipos de leitura. Ler um gibi passa por várias etapas, por exemplo, e até mesmo um aprendizado de uma linguagem específica dependendo do tipo de quadrinho. O primeiro passo é reconhecer que a arte sequencial – ou os quadrinhos se preferir – é um misto de texto e imagens. Isso altera o modo de expressão e a aplicação da língua nele. A leitura se configura, portanto, de maneira diferente pelo fator imagem + texto = narrativa em sequência. Configura-se até um modo diferente de se ler porque o texto não é apenas escrito.

 

A aplicabilidade apenas dos modelos de leitura da escrita tradicionais, como orientação para leitura dessas obras , perde o sentido nesse tipo de texto. A escola tem – ou tinha a mania de tratar o texto por meio da decodificação de um código escrito-  e aplicar um modelo padrão para o aprendizado da língua modelo. Centrava, dessa forma, seus esforços na aquisição desse código. Reduzia-se o processo leitor à gramática e ao código escrito: alfabetização e aquisição da língua padrão. Objetivos que dentro dos PCNs são válidos e devem ser tratados com a devida seriedade para que essa pessoa se integre no modelo padrão de linguagem, mas incompleta , ainda  assim na proposta adotada de integração e uso pleno da língua.

 

A língua e suas formas de expressão se refletem por meio de várias linguagens em que ora ela é o elemento principal , ora apenas um dos elementos que compõem a mensagem ou em que ela é apenas suporte. Porém, um  dos objetivo do professor de língua é fazer o aluno se conscientizar disso. Uma das melhores maneiras de falar dessa aplicabilidade está na  semiótica que induz, em suas várias vertentes e estudos específicos, a uma descoberta das ideias por trás das mensagens. Fala-se daquilo que está fora do que a palavra diz e declara: o implícito e a construção de significados por meio dessas ideias.

 

Há propriamente o modelo de leitura desejado pelos estudos modernos de leitura e interpretação de texto. Fala-se muito de inferência, coerência (sim, coerência), leitura em vários níveis, mas pouco se aplica dessas terminologias por meio de conhecimentos práticos  e integrados para a leitura efetiva de textos reais.

Eu poderia até dizer que existe uma facilitação e simplificação para unir o útil ao agradável. O grande problema é que, comprovadamente, isso forma “leitores” preguiçosos. A falta de desafio e o conforto causam, inclusive, desinteresse e o assunto torna-se trivial para o aluno. Claro exemplo disso são os textos dos contos de fada e sua decifração. Uma atividade muito gostosa é na verdade apenas a reafirmação de textos passados oralmente e cujo conteúdo é conhecido previamente pelos alunos. A análise deles e a leitura, muitas vezes orientada, pouco trás de novo e a leitura flui justamente por não trazer desafios e tudo aquilo ser mais ou menos conhecido por eles.

Muito se critica o uso de textos difíceis na escola por não despertarem  o interesse e é este  um dos motivos  das crianças não aprenderem a ler. Até certo ponto, isso é uma meia verdade: o pouco critério de seleção e avaliação de quando e como se deve trabalhar o texto na escola é um mal que deveria, na verdade, ser apontado e corrigido. A falta de desafios causa ócio e preguiça de realizar uma atividade que, de certo modo, é intelectual e mecânica ao mesmo tempo. Adquire-se a fluência na leitura pelo hábito e pela crítica. Isso deve ser mostrado e orientado na escola de maneira efetiva por meio de exercícios práticos. O aluno deve encarar o texto e enfrentar suas dificuldades. Precisa , para isso, ser orientado a proceder de determinadas maneiras com os textos. O uso de dicionários, conhecimento prévio, mobilização de modelos, previsão, releitura e proposição de hipóteses são elementos fundamentais para a leitura efetiva de um texto.

 

Estudos provam que o mais comum é que se assimile esse modelo de leitura não pela exposição dele, mas pela observação em certos contextos que não são propriamente orientados com esse objetivo. Digamos assim que observar os atos leitores dos familiares em uma família letrada é o mais natural, mas quando esse conhecimento não é passado ou visto (observado empiricamente) a tendência é o insucesso na formação de leitores.

 

Pense assim: a aquisição da fluência leitora é observada e vista, mas como poderia haver uma compreensão total desse processo se o ato de ler é estranho ao aluno? Se, por acaso, o aluno não tem orientação e apenas observa em suas atividades diárias escolares (caso tenha acesso à escola) ele irá, provavelmente, observar certos hábitos de pessoas que leem e aplicar alguns deles. Entretanto, como a leitura não pode ser medida de maneira objetiva e de maneira efetivamente mensurável, portanto; a observação acaba sujeita a lacunas.

 

Apreende-se um conhecimento  empírico por meio da prática, sendo assim, o conhecimento das regras da língua e a noção do código é apenas uma via de acesso ao texto: uma primeira etapa para a aplicação prática desse conhecimento ,sendo a base fundamental dessa prática, mas não o elemento que a torna  mais significativa. Os hábitos leitores, os processos e as inferências podem ser aplicados por meio de exercícios concebidos para essa fluência se tornar um hábito.

 

Isso deve ser exposto, mostrado e, principalmente, exigido em exercícios que visem essa construção para uma melhor fluidez com a leitura e interação com o texto escrito e oral. A avaliação da leitura por meio de notas e  a memorização institui uma obrigatoriedade predatória e resulta em fracasso da escola em formar leitores, afinal, essas informações podem ser adquiridas por meio de outros textos. Não se fez ler a obra e nem enfrentar o texto e ter uma melhor consciência dos usos da língua. Apenas se trocou um texto mais longo por um mais curto, afinal, a experiência leitora e a expressão  de um texto estético não são restritos apenas ao seu conteúdo. Se for assim, a obra literária perde seu sentido, sendo  seu propósito maior digerido por uma concepção  conteudista e predatória.

 

O aluno em si não errou ao proceder assim. Ele foi atrás de uma informação com um objetivo concreto, leu e estudou. Boicotando  a leitura do livro e se concentrando no seu objetivo: apreender as informações que serão cobradas no exame do livro. O problema é que tanto ele quanto o professor saíram prejudicados porque na soma desses fatores nem se criou e instaurou um conhecimento e um hábito leitor.  Portanto, não se criou um interesse por esses textos pelo fato de que essa artificialidade torna o objetivo desse texto anacrônico e completamente fora de qualquer interesse que se possa ter diante de um texto cujos objetivos diferem dos objetivos educacionais  estabelecidos : ao instituir uma prova que cobre fatos, datas e concepções estéticas que são aplicáveis, na maioria das vezes, em um estudo histórico, por exemplo .

 

Torna-se assim o texto literário – como vários textos  do cotidiano – alienado do seu propósito e estranho ao aluno e aos seus objetivos. Não o torna eficiente na prática da leitura de um gênero e tipo de texto específico e nem mobiliza conhecimentos que são práticos e úteis para qualquer leitura. Isola-se o objeto tornando-o estranho e desmembrado da prática cotidiana que os alunos – futuros trabalhadores de suas áreas – irão utilizar. O conhecimento dessas ferramentas linguísticas  e sua aquisição seria o único modo de fazer os textos se tornarem mais interessantes para a  aplicabilidade daquilo que lhes  interessa. Tudo isso não deve ser desculpa para uma simplificação em prol de uma didática que não vá lhes trazer desafios.

Faz muito tempo que não posto nada por aqui. Irei postar mesmo sabendo que ninguém lê esses posts salvo os colegas e amigos que eu direciono e, eventualmente, algum conhecido. Prefiro postar minhas ideias em fóruns, mas quando sinto que os textos que escrevo tem valor de diário ou mesmo um registro de opinião muito pessoal publico-o por aqui para DEPOIS veicular em outros blogs os quais participo. Neste caso não farei de maneira diferente. Acho que o texto logo abaixo é muito pessoal para se levar a sério.

Estava para escrever esse texto faz tempo. Na verdade era a minha ideia desde o começo do semestre, mas não consegui arranjar tempo nem espaço para isso. Ironicamente as circunstâncias que me levaram a escrever tal texto não são das mais nobres. Talvez, até infantis por não conseguir aceitar como o mundo gira em torno de você e como as coisas mudam. Tal estado de idealidade que é proveniente, dizem alguns, de um estado infantil de ego.  Tenho certeza que muitos de vocês devem estar tentando adivinhar sobre o que vou falar. Certamente não é sobre Sakura Card Captors e como o mundo é cor-de-rosa.

O assunto que vou desenvolver ficou na geladeira tempo demais esperando uma boa oportunidade para sair. Tem haver com Mahou Shoujo. Para quem não sabe o que raios é isso eu explico. Mahou Shoujo é um gênero pelo qual desenhos japoneses (animês, duh) que são assim classificados por se referirem à temática de um grupo de meninas jovens ou jovens adultas, como nas séries mais antigas como Sailor Moon, que combatiam monstros e forças sobrenaturais malignas. Um modelo clássico tirado de séries Japonesas Live-Action. Essas séries tiveram sua origem devido ao sucesso da série A Feiticeira.

O que isso tudo tem haver com as ocorrências do seu dia-a-dia e com o fato de você ter se decepcionado com algo que você presenciou? Não muito, na verdade, pensando logicamente e com um raciocínio perfeito. Até porque o texto que estou escrevendo é apenas fruto de um delírio meu e, portanto, como já disse é uma reflexão puramente pessoal. Mahou Shoujo Madoka Magicaé um animê, do meu ponto de vista, pelo menos, que fala sobre as implicações de um contrato. Ele fala sobre sacrifício, mas esse sacrifício nunca é mostrado de forma positiva. A única personagem que tentou fazer seu próprio caminho [Sayaka] acabou morrendo em prol da própria ilusão de que ela poderia tornar um ideal em algo que pudesse ser levado ao máximo.

O problema é: em Madoka cada esforço lidera as personagens diretamente para uma conclusão ruim em direção ao seu fim. Kyubei explicita isso muito bem em seu discurso quando diz que a partir do momento que você estabelece o seu desejo você sela seu destino. Algo que se refere certamente a fausto e o tema de vender sua alma por um desejo.  O grande problema é que esse desejo, como esperado, trará eventualmente o seu fim. O sacrífico em Madoka, eu ouso dizer, é vão assim como qualquer esforço.  Qualquer ação tomada de maneira impetuosa acabará em tragédia, mas mais que isso qualquer atitude tomada com um objetivo nobre acaba em frustração e eventualmente em tragédia.

Alguns exemplos seriam suficientes para isso. Selecionarei dois exemplos de um mesmo caso que chamam a atenção pela sua força dramática: o caso da personagem Sayaka mencionado acima que deseja algo em prol de outro ser humano e sua sede por justiça. Ilusões que acabam a levando para a sua destruição. A sensação de desespero e impotência diante das possibilidades de ação é algo a se notar em sua trágica história. Existe um modo como agir para caçar as bruxas, mas esse método não permite salvar vidas, apenas esperar para que a bruxa cresça pela engorda de suas vítimas enquanto ela vai crescendo até despertar totalmente. Obviamente, há algo errado em um método desses considerando que supostamente sendo uma Garota Mágica (Mahou Shoujo) Sayaka deveria proteger pessoas e não esperar que a bruxa faça vítimas o bastante para poder abatê-la. O problema é: os objetivos do contratante são díspares do que é proposto inicialmente, mas ao mesmo tempo nenhuma mentira foi contada: luta-se pelo seu próprio desejo e você há de morrer com esse desejo, afinal, você pagou por ele com sua vida.

Não aceitando isso Sayaka acredita que poderia lutar por justiça. Sem talento, sem poder e muito impetuosa acaba cavando sua própria cova no processo. Fazendo movimentos imprudentes e tomando decisões ruins que a levam a coletar pouca energia limando as possibilidades de limpar a sua Soul Gem. Afinal, Sayaka lutava contra familiares e estes não dão o item o qual as Mahou Shoujo mais precisam para manter as suas Soul Gems limpas: as Grief Seeds.

Essa luta em vão contra todos os fatores, que chega a contradizer o bom senso e beira a imprudência, poderia ser visto como heroica pelo próprio discurso da personagem Sayaka que acredita em seus ideais deseja algo para outra pessoa que não ela mesma. Ela pretende sacrificar a si mesma em última instância, mas não consegue lidar com o fato de que seu martírio, sua luta fracassada e sem frutos possa ser menosprezada.

O mundo ainda gira de modo independente das vontades e ilusões, ideias e promessas. Todo tipo de fantasia é limado quando no episódio 8 da série após ver seu desejo pelo bem estar de um garoto ter sido em vão. Afinal, sua amiga que não sacrificou nada para chegar até ele consegue facilmente persuadi-lo a começar algo entre eles. Enquanto isso, Sayaka cujo sacrifício e o desejo revolviam sobre o garoto que teve um acidente que imobilizou suas mãos foi desperdiçado. O garoto abandonou o hospital logo após a recuperação, tratou-a mal e nem ao menos disse um obrigado pelos dias que passou com ela e pelo carinho e preocupação. Nenhuma palavra foi emitida.  Eu, particularmente, acredito que todos nós lutamos por algo que é certo, porém, o desespero e a insistência de Sayaka em um ideal e um padrão de um comportamento idealizado de defensora das pessoas comuns e dos fracos se originaram por parte do próprio desespero da mesma.

Eu explico com detalhes isso. Embora eu ache que esteja evidente que ela tenha perdido sua razão de existir e para suprimir isso tentou com todas as forças caçar algo pelo qual pudesse se apoiar, mas não conseguindo tentou se sustentar nas histórias de garotas mágicas que havia ouvido falar, dos contos de fada e das histórias de heróis. Infelizmente, por mais que a magia exista em Mahou Shoujo Madoka Mágica, como mesmo disse Sakura Kyoko, a magia é algo para uso pessoal. Ela serve para alcançar aquilo que uma pessoa deseja e não para ajudar os outros. Esse foi o grande erro de Sayaka. Tomar o milagre da magia como algo que pudesse ser transferido para outra pessoa, fazendo o seu desejo que seria a sua única razão para lutar, afinal, ela trocou sua própria alma em prol disso.

Esse arco apresenta um teor dramático bem desenvolvido fazendo com que o desespero seja exposto de maneira a deixar evidente que ela está cega pela sua própria necessidade de enxergar algo no qual ela possa se apoiar. Quando ela descobre que sua luta é algo que jamais será relevante em um nível consciente sua mente fica desconcertada. A última barreira de defesa entre sua sanidade e sua insanidade se dá quando ela escuta a conversa de um homem sobre sua própria mulher.

Ela que sacrificou tudo por ele, que o ama acha que está fazendo a coisa certa. Ele em contrapartida zomba disso. Algo similar com o próprio caso de Sayaka?! Eu arriscaria um sim nesse caso por ser bem próximo do que ela possa estar sentindo e de sua própria história. Pelo menos em parte. Indignada ela sucumbe e é revelado, por meio de sua transformação, na série de forma bombástica que as Mahou Shoujo são, infelizmente, bruxas e vice-versa. São apenas estados diferentes de uma mesma natureza e um tipo de energia. Um fim, particularmente, triste para uma personagem que tentou lutar contra a maré na esperança de se manter sã e sucumbiu à própria imprudência.

O mais irônico é que com isso sua morte, assim como a de Mami, que morreu no fim do terceiro episódio, é anônima. Luta-se por si mesma e morre-se só sem mais ninguém que a apoie ou possa entender o porquê a razão para lutar possa ser importante, afinal, ela é pessoal e intransferível. A razão é apenas sua e é seu dever encarar suas consequências solitariamente. Essa razão deveria ser o seu desejo, mas como ela abdicou de seu desejo por outra pessoa ela nunca ganhou algo em troca. Sendo assim seu destino foi sucumbir ao desespero. Perdendo sua razão de viver, embora ela não se arrependa de seu próprio desejo. Isso está dito na série, mas eu revogo essa visão, parcialmente, por saber que nada de frutífero veio de tal desejo e ele foi o estopim para seu fim trágico.

Recentemente uma série de fatores tem me atormentado deveras por razões que não valem ser mencionadas ao longo desse texto. Primeiro de tudo gostaria de esclarecer que minha vida não anda fácil, minha solidão anda aumentando (talvez, por culpa própria)e minha vida pessoal anda parada, mas acima de tudo meu trabalho me estressa.

São reclamações pessoais que muitas pessoas tomariam como bobas, pois precisamos enfrentar nossos próprios problemas a fim de conseguirmos achar nosso caminho. Esse seria o mais maduro à se dizer e largar osvelhos hábitos de criança. Se despojar de tudo o que remeta ou o que lenbre o prazer adolescente. Tudo aquilo que não é ligado à vida adulta deveria ser jogado para trás e deixado esquecido na memória.

A vida é feita de momentos e, particularmente este está sendo um caos. Um saco e uma dor terríveis para mim. Estou tentando muda algumas coisas e criar novos interesses dentro dos meus hobbies e tentar repensar certas coisas, mas as coisas parecem me esmagar vez por outra.  Dizem que a vida costuma ser uma sucessão de estados físicos e químicos e somos bolas de reações químicas. Pena que eu prefiro tentar compreender meus sentimentos por meio dos meus estados do que apenas classificar as mudanças de estados químicos, afinal, se fosse assim e poderia me dopar com as mais variadas fórmulas de maneiras diferentes e meus estados poderiam ser resolvidos e minimizados, mas o trabalho da compreensão do mesmo, infelizmente, vale tanto quanto os remédios. Não confio na terapia na qual eu tive já minha experiência e, sinceramente, perdi a fé por saber que ela é uma solução provisória e nem sempre outras pessoas podem ler seus estados com perfeição sendo a medicina muito mais interessante nesse caso.

A quantidade de contradições ou problemas vêem crescendo nos últimos anos e isso pode ser uma sucessão de acontecimentos financeiros, problemas familiares, falta de recursos que causam stress e preocupação e podem ser minimizados se tratados devidamente com as fórmulas adequadas ou podem ser tratados solucionando os problemas ou encontrando válvulas de escape adequadas. Uma delas se chama hobby e uma das principais funções do hobby é estimular a mente a esquecer dos problemas reais. Muitas vezes as pessoas chamam isso de covardia ou irresponsabilidade, mas o hobby, acredito eu, é um tratamento de choque para aqueles cuja saúde mental está prejudicada por certas circunstâncias.

Livros, histórias, mangás, RPG, vídeo-game. Muitas dessas coisas são consideradas brinquedos por várias pessoas, mas a verdade é que elas são válvulas de escape. O hobby pode ser qualquer coisa desde uma prática (como escrever textos ou costurar), um tema pelo qual você se interessa ou mesmo algo do qual você procure informações. É algo que você goste e dedique seu tempo livre a fazer, se ocupar com aquilo. Programas específicos ou um tipo de diversão do qual vc tenha interesse pode ser um hobby. Beber, comer ou pesquisar sobre tal pode ser um hobby , mas é bom manter em mente que só aquilo com o qual nos identifcamos e constantemente voltamos a fazer, ver ou nos ocupar é realmente um hobby.

Hobbies podem mudar ao longo de nossas vidas dependendo das circunstâncias nas quais nos inserimos ou da idade e do contexto em que integramos. Momentos diferentes, comunidades e pessoas podem trazer novos interesses. Um hobby não é necessaramente algo imutável e nem duradouro, mas é algo que nos faz sentir bem e nos traz prazer dependendo de nossa idade, condição social ou contatos, mas para ser um hobby há de se haver identificação, pois sem isso podemos apenas dizer que é um pequeno passa-tempo e/ ou uma distração. A dedicação à um hobby é mais que apenas isso. Há pessoas que os encaram como metas de vida ou mesmo modos de vida.

Não necessariamente um hobby precisa ser assim, mas o verdadeiro hobbista, aquele que respira e consome esse tipo de coisa, irá se dedicar de corpo e alma e leavará muito a sério seu “passa-tempo” . Para ser um “hobbista”  ou para poder se dizer digno de ter um hobby algumas condições precisam ser preenchidas:

– Gostar do que faz, lê ou assiste.

– Dedicação, conhecimento e paciência para com seu objeto ou ocupação.

– Não tratar daquilo que gosta apenas como algo ocasional ou mesmo de pouca importância.

– Saber que as tendências mudam e acompanhar os movimentos dos hobbies.

Claro pode haver, como eu já disse, uma mudança de interesses devido à idade ou à falta de interesse por meio daqueles cuja identificação com o grupo anda defasada ou mesmo as mudanças e o objetivo ou mesmo o mercado daquilo que se gosta altere-se deveras. Assim, a pessoa pode acabar perdendo interesse e buscando outras ocupações e ter sido um hobbista pelo tempo que passou e aproveitou um assunto ou algo que ele gostava enquanto havia identificação com o grupo e/ ou com o objeto em questão.

Meu hobby atualmente é anime e mangá e durante muito tempo eu tinha um interesse ou um contato com aquelas pessoas que gostavam sem dar tanta atenção, pois eu gostava mais de RPG como um geral e o vídeo-game me parecia mais atrativo. Embora ambos fossem mais passatempos que hobbies apesar do imenso gosto pelo RPG em si. Eu tinha pouco conhecimento dos objetos tratados ali na época em que comecei como um membro de um “clã” de 20 ou 30 pessoas que se reuniam em um fórum dedicado à um mangá só: Shaman King.

Era a febre da época e meu desenho animado favorito, mas eu mal tinha consciência do mercado gigantesco. Freqüentava eventos sem saber que cosplay era uma prática e com pouquíssimo conhecimento sobre esse mercado. Anos se passam, entro em um fórum e recrio interesse por animê e mangá e cultura visual Japonesa incluindo as famosas séries live-action. Estou ingressando em uma idade adulta, mas tenho intenção de iniciar uma carreira em cosplay  Talvez, pela pouca repercussão para se criar novos contatos e amizades que uma prática solitária e sedentária como ler mangás tenha à oferecer. Portanto, abdicarei de certos mangás e certas coleções, mas não de continuar lendo na internet para poder expandir meus horizontes e tentar me integrar ainda mais a esse universo.

Isso não me faz menos hobbista por abrir mão por algo, mas faz com que expandindo meu universo para outros horizontes eu crie certos interesses ligados à esse universo que me façam mudar de parâmetros e do foco em que gasto meu dinheiro, as continuarei pesquisando sobre anime e mangá e lendo na internet. Apenas deixarei de adquirir tantos volumes físicos.

Mas o site continuará ativo, pois minha fome por animê e mangá é muito grande.

Air Gear

Primeiramente digamos que depois de muito tempo tentando resenhar mangás dos mais diversos tipos resolvi voltar às “origens” e falar mais despretensiosamente de uma série que é considerada puro fã-sevice. Para quem não sabe fã-service são elementos baratos em mangás que servem para a se referenciar à obras famosas ou mesmo usar-se de clichês ou técnicas baratas que atraiam fãs do gênero por uma jogada de marketing barata como material pornográfico e graturito, violência pura, comédia pastelão, roteiro clichê muitas cenas típicas aliemtando-se apenas de um caça-níquel atrás dos fãs mais consumistas. Supostamente é um mangá para quem não tem o mínimo de noção e senso crítico do que deveria ser um bom mangá e tem uma apelação comercial evidente por seus elementos extremamente comerciais.

E eu descobri um desses mangás mês passado. Ou melhor ele foi lançado mês passado, mas eu descobri só esse mês. Seu nome é Air Gear. Um mangá sobre Gangues, esporte, violência, superação pessoal. O mangá típico shonen, talvez, mas porque ele pode ser clasisficado como fã-service?

O primeiro motivo e mais evidente é o fato de todas as suas mulheres serem lindas e a presença de cenas com teor sexual evidente presentes de maneira freqüente.  Isso occorre em outra obra dele:  Tenjho Tenge em que há muitas cenas de sexo e estupro. Em Air Gear essas cenas ainda não apareceram nas edições publlicadas até agora no Brasil, mas elas irão aparecer em breve. Dentre outros elementos característicos estão: mulheres muito gostosas, violência gratuita (luta de gangues e situações que estão lá para mostrar todo o poitencial de Oh!Great como desenhista). Ele é um dos grandes prodígios em arte e, geralmente, suas histórias clichês se sustentam muito pela sua exuberante arte.

Air Gear começa com Ikkitsuki batendo em alguns arruaceiros que mexeram com sua gangue e com o intuito de vencer uma disputa anual pelo território do leste e do oeste da cidade. Após ser chamado por uma das garotas que o abrigam em uma casa na qual ele é hóspede há a ameaça a seu clã por parte dos garotos derrotados aos membros de sua gangue. No dia seguinte, movidos pela covardia, seus capangas entregam Ikkitsuki ou Ikki para um bando de Storm Riders associados à gangue derrotada que disse que iria ter sua vingança em cima dos Guns do Leste.

Storm Riders são gangues que usam os Air Trecks (patins turbinados para fazer manobras radicais) e que praticam atos de violência e vandalismo por causa da força e velocidade que os air trecks lhe proporcionam.  Note que o Air treck é tratado mais como uma arma do que como um esporte e mesmo as diputas oficiais são mais parecidas com lutas motorizadas que uma corrida ou disputa de manobras. Tudo em Air Treack tem aquele ar de emergência, violência e muita adrenalina, mas não corresponde ao esporte verdadeiro que está longe de ser violento ao ponto que o mangá apresenta. Evidentemente , sozinho e abandonado por sua gangue ele acaba sofrendo uma grande humilhação e derrota.   Ikki, ao voltar para casa ompletamente desmotivado e humilhado,  tem um sonho com suas colegas em que elas o ensinam a usar o Air Treck e depois de algum tempo ele começa a treinar por conta própria para se tornjar um grande air trekker. Isso porque o Air Treck (repito novamente) lhe trará vantagens combativas como força humana e velocidade espantosa.

Outros elementos que podem ser identificadso são homens com uma personalidae forte, mulheres manipuladoras e meigas. Há, também, na cena em que Ikki é derrotado ao ser elevado  por um dos membros à uma altura considerável e virado de cabeça pra baixo (como um pilão, aliás é um pilão o golpe que alicam contra ele com o uso do Air Treck). Tal violência da cena no mangá não se repete quo animê fiacando chocha enquanto no mangá ela é aterrorizante.  Ikki mija em suas próprias calças nessa cena; o que a torna mais chocante ainda. O grande problema do animê é sua baixa produção e sua censura que acabaram cortando cenas cruciais para a identidade violenta e visceral de Air Gear e sua identidade visual exuberante de uma pena competente e muito detalhista.

Para resumo da ópera e não continuar dando Spoilers sobre a história:

A história giram em torno de kki tentando dominar a arte do Storm Riding para poder se tiornar mais forte e superar a gangue ocmposta por suas colegas de casa. Um mangá que é cheio de violência, nudez, palvrões e cenas de ação, mas que funciona e muito bem!

Ikki: Se você é homem você vai ler e vai gostar, mas se for maricas vai falar que é um mangá idiota. XD

Um título um tanto longo, mas pelo menos acho-o divertido.  De qualquer modo o que sei é que estou com minhas expectativas bem altas em relação ao que vou relatar aqui. Primeira coisa a se notar é que retomei o blog com certa força por estar disposto a continuar escrevendo sobre minha paixão: animê e mangá.

Óbvio eu não precisaria de um post apenas para anunciar um fato tão evidente. O real motivo para essa postagem, isso sim, tem haver com a minha estréia como novo membro (colunista) ativo do blogue Animê Portfolio cuja estréia marca, para mim, uma nova fase e uma grande oportunidade para expandir meus horizontes:

http://animeportifolio.wordpress.com/2011/08/29/howdy-folks/

Me apresento no blog com essa postagem, mas atentem para o fato de que há mais alguns (seis ou sete, mais ou menos) colunistas que dão as graças de suas análises no blog.  Compondo algo mais profissional que o meu blog pessoal. Espero que confiram e acompanhem com afinco e deixem seus comentários por lá.

De qualquer modo estou muito feliz pelo que consegui alcançar com isso.  Apenas espero que eu consiga manter vivos meu interesse pelo meu portal pessoal e postar lá com alguma freqüência. De qualquer modo espero vê-los em breve.

Até mais e nos vemos por aí.

Só pra deixar uma trilha sonora bonita. Embora isso não queira dizer adeus, necessariamente, muito pelo contrário!

Isso é um recomeço,  isso sim.

Apresentação do mangá:

Hoje, como um ia normal em que tenho mais tempo, pude, finalmente, me atualizar sobre os mangás e adquiri uma cópia de K-on. Mais por curiosidade que por interesse real. Em geral, adquiro os mangás em uma banca ao lado do local que almoço quando não trabalho.

Para quem não sabe K-on alcançou certa popularidade faz um tempo por aqui. Especialmente entre o fandom, mas especificamente entre garotas com idades entre 14 e 18 anos de idade. O enredo gira em torno de um clube escolar de música que está prestes a fechar as portas por falta de membros novos. O clube de música popular , ou “leve” como foi traduzido no mangá. Eu não me questionaria sobre a verossimilhança do pressuposto que impulsiona o capítulo inicial se ela não fosse extremamente paradoxal.

Claro, temos de levar em consideração que vários fatores podem ter influenciado para a atual situação do clube de música da escola em que se encontram as protagonistas, mas poderia ter havido uma maior preocupação em atar esses nós para dar uma história mais fluída e convincente. Razões não faltariam para o clube ter fechado e ninguém ter entrado nesses anos. Quem sabe as outras membros tivessem formado uma banda muito unida e o clube tivesse se tornado reduto delas ou mesmo ter apenas citado, trivialmente,  que elas são as únicas a se interessar por música popular na escola desde a última turma que se formou.

Do jeito que está parece que o autor nem ao menos parou para pensar na possibilidade de que deixar isso à cargo do leitor evidencia um certo relaxo sobre os motivos do que ocorreu. Tudo bem é pasável,  mas chega a incomodar um pouco sendo que isso poderia ter sido melhor explorado dentro do mangá ou ao menos todo o capítulo que revolve na seleção de membros do clube desnecessário. Isso porque a protagonista força as pessoas a entrarem no clube e seleciona a “vítima” mais fácil.  Isso tornaria, também,  a história mais rica e cheia de detalhes.

Shoujo típico:

A frase “Em time que está ganhando não se mexe” se aplica aqui perfeitamente aqui. Embora seja evidente que o pretexto do clube de música seja mais interessante que apenas relacionamentos em um ambiente escolar. Nos meandros é que encontramos a essência do gênero ao qual o mangá pertence.

O traço moderno e os enquadramentos quase sempre focados no rosto não deixam evidente a fisionomia das personagens. Porém, nos poucos momentos em que há uma figura ou ângulo que nos mostre os corpos das personagens: são magras e altas. Claro, nada comparado ao exagero esquelético representado em Sailor Moon ou às desproporções fenomenais da Clamp. Porém, a essência de representar alguém esbelta e bonita sem um corpo muito cheio de curvas está lá. A identificação do modelo feminino ideal aos olhos de outras mulheres pelo padrão de beleza que elas almejam.

Somado à isso há  caracterização das personagens, suas personalidades. Todas elas tem traços simples e comuns ao mangá shoujo e há situações padrão para esse tipo de produção. Vamos começar pela quatro personagens principais:

Tsugumi Kotaluki – Meiga, rica, linda e disposta a ajudar os outros.

Mio Akyama – Séria, quieta e objetiva.

Ritsu Tainaka – Energética, entusiasta e impetuosa. Força alguns membros a se juntarem ao clube de música.

Yui Harisawa – Afetada, inocente e avoada. Junta-se ao clube por acaso. Em minha opinião chega a ser tapada.

São traços regulares em heroínas desses mangás apesar de serem gerais. São personagens com características que foram enraizadas em alguma personagem que tem praticamente aparição obrigatória em mangás shoujo. Quem já leu mais de 10 ou até mesmo mais de 20, como eu, sabe que esses traços de personalidade são muito recorrentes em protagonistas do sexo feminino. Aliás, todas as protagonistas nos shoujos mais típicos são mulheres por razões óbvias demais para eu me estender aqui.

Há algumas situações dentro das páginas inicias que acabam por cansar o leitor que não é maníaco pelo gênero e está tentando dar uma refrescada em sua leitura típica de outros gêneros de mangá e quer experimentar algo não tão recorrente. Vêem-me à mente algumas situações que ocorrem no capítulo inicial e me fizeram não gostar tanto do mangá o quanto eu estava esperando que eu fosse gostar:

– O ingresso de Yui Harisawa, a guitarrista da banda , é um deles. Infelizmente, a sua personalidade afetada e sua pouca atenção á vida diária fazem com que ela não tenha muito interesse pelos clubes.  Ao ser pressionada por sua amiga a se juntar à um deles para ter algo ao qual se dedicar ela se lembra de ter se inscrito no clube de música popular mesmo não sabendo do que se trata.

Existem outras cenas que se utilizam de muitos lugares comuns do gênero. Muitas vezes à exaustão:

– Por exemplo, há uma outra cena, muito típica de shoujos, que é uma reunião de garotas para um lanche em volta de uma mesa de chá. Tsugumi está servindo o lanche para elas em louça fina e a toalha que cobre a mesa é brance. Yui supõe que ela seja muito rica porque todas as peças com as quais elas estão se servindo são de altíssima qualidade.

Só eu sinto exagero ao ler isso? Ou será que todas as garotas no japão tomariam realmente chá em um clube de música oferecido por uma garota rica e meiga que está disposta a oferecer uma louça cara e rara para um clube ao qual ela acabou de juntar? Fã-service gratuito identificado. Ainda mais porque a situação apenas dá a informação que a garota é rica, mas ao longo do mangá vai sendo mostrado que Ritsu é rica sem abusar de uma cena tão cheia de clichês e exagerada. Certo, mangá é sobre hipérbole, mas pra mim isso desceu como uma pedra. Embora eu goste muito dessas cenas de chá por serem um elemento muito característico de shoujos. Mesas que são fartas e cheias de utensílios e comidas caras e diversas, mas não tem como negar: no caso foi exagero.

Porém, devo ressaltar que certas coisas foram muito agradáveis ao ler o mangá como, justamente, o fato de elas serem personagens típicas. Isso porque eu tenho percepção o bastante para entender que o mangá não é pretensioso e que isso dá um cero conforto para quem geralmente lê o esse tipo de mangá. Mesmo que eu ache que isso pudesse ter sido usado menos à exaustão. O traço não é todo rebuscado e cheio de efeitos de luz. É limpo e delicado, sem exageros.

Isso dá  muitos pontos positivos ao mangá em minha opinião.  Pode dar oportunidade para quem não está acostumado com o gênero a ingressar por meio de K-On na gigantesca biblioteca de shoujos sem se afastar por certas decisões dos desenhistas de representar certos personagens com um traço muito afeminado ou estilizado.

Porém,  que fique claro que se você está procurando um material de qualidade e já tem certo costume com shoujos e quer algo que se foque no tema de banda e música eu não iria exitar em dizer que Nana é uma opção muito melhor em todos os termos.  Incluindo um preço bem mais acessível e uma coleção quase completa. Basta apenas vontade de correr atrás dos volumes.

Há outro fator, também: K-on é mais voltado para a comédia que para o romance. Aliás, quase todo o enredo é sobre situações engraçadas ou inusitadas. O que pode dar coragem a certos marmanjos barbudos a lerem ele para dar um pouco de risada, mas ainda assim acho que seria mais fácil optar pelo típico mangá harém caso você seja do sexo masculino. De qualquer modo o mangá tem seus pontos positivos, inegavelmente.

Música “leve”?

Dentre tudo o que é apresentado na edição da NewPop algo me parecia especialmente deslocado, errado, logo na primeira página: o termo música “leve”. Por uma nota de ropadé se explica que se optou por essa tradução para o termo keion que nomeia o mangá que se chama: K-on.

Ninguém em sã consciência e sendo falante de língua portuguesa se refere ao Rock, ao Jazz, à Bossa Nova ou o Heavy Metal como música “leve”. O tom e a melodia são definidos pelo gênero. Rock pode pop ou hard. Porque raios eu utilizaria para me referir aos estilos musicais não clássicos como música leve?

O que não é clássico é popular ou pop e é assim que a tradução deveria ter optado por traduzir o termo keion.

Independente da conotação que a língua Japonesa dê deveria ter se colocado isso em nota como curiosidade e não como opção de tradução que soa estranha, sem nexo e que não faz sentido nenhum aos ouvidos e nem olhos de ninguém. A palavra leve nesse sentido não existe associada ao termo música é uma questão de significado simples e corrente, de comnhecimento comum. Ou será que o Iron Maiden ou o grupo “Sepultura” são músicas leves? A opção de tradução foi, no mínimo, infeliz.

Preço/material:

A editora NewPop é conhecida por edições caras e luxuosas em ause todas as suas publicações e, também, por optar sempre por títulos cults. Tivemos Dororo e Hetalia junto com Metropolis, por exemplo. As edições , em geral, contam com um miolo de alta qualidade, páginas coloridas e uma capa plastificada.

O mangá é mais fino que o típico tankobon, porém, tem maiores dimensões por página dando a impresão de um almanaque ao invés de um mangá. A capa é colorida e muito chamtiva, mas o preço cobra por todo esse tratamento à edição: salgados quinze reais. Para ser exato, R$ 14, 90.

Primeira nota do dia: Essa porra não tem UM leitor ainda. O que já me desanima e muito. Tudo bem eu darei suporte pessoal para mim mesmo lendo meus textos para revisar eles. Estarei fazendo um favor ao mundo.

Passado o momento de indiganção e minha falta de divulgação eu posso dizer que me sinto confortável com isso,  ao menos, o fato de o blog não ter tantos leitores, mas ser um espaço com todas as minhas impressões e um espaço pra despejar todas as minhas frustrações e problemas com relação ao universo animê e mangá. A bola da vez vai ser mangás atuais no Brasil e encadernação. Um assunto que precisa e pouca pesquisa, mas muita observação.

Como todos sabemos à alguns anos o  mercado tinha mangás em meio volume pelo preço módico de 2 reais e noventa centavos. O papel era jornal e hoje em dia a mercadoria melhorou um pouco , exceto algumas edições mais luxuosas lançadas, a grande sacada é que esse troço passou dos 2, 90 pra cinco e 90 ou seis e noventa em  alguns casos. A encadernação foi expandida e o mercado está na verdade com preços absurdos. A pirataria de títulos por mei o de leitura não autorizada de cópias distribuídas na internet pelos scanners que salvavam muitos de nós de títulos medíocres foi solapda no EUA e não existem Scanners brasileiros. Claro, isso é um ponto positivo para o mercado. Temos títulso muito bons vindo ao mercado,  finalmente, mas não o sufieciente para poder torrar uma mensalidade de 50 reais com títulso que realmente valham à pena.

Só que com esse preço nem tudo o que está em banca vale à pena. Ou ainda mais com a oportunidade de importação de produtos em que você paga, sim o dobro, mas por um produto com o dobro de qualidae e durabilidade e muitas vezes de páginas que não vão amassar ou dobrar com a umidade do ar. Cuidado com o que se pede. Uma edição BIG da Viz que contêm seis volumes brasileiros de Rurouni Kenshin (Samurai X no BR) custa em torno de 40 reais. Hj em dia pagaria  mais ou menos o mesmo preço por um papel jornal em edições muito pequenas e com uma encadernação que descola ao simples toque da mão nas páginas.

Nem todos tem oportunidade de comprar mangás e por isso reclamam do perço. Os títulos, então, são os mais estranhos e bizarros possíveis, exceto por coisas como Dead Man Wonderland ou mesmo Katekyo Hitman Reborn cujas edições foram anunciadas , mas não foram lançadas como o primeiro caso.

Temos Tsubasa Chronicles, Claymore e NHK nas bancas, mas são títulso com algum tempo. Em compensação desde que Fruits Basket foi pro limbo ao ter sido encerrado no Brasil e a Saga Evangelion ter parado mais do que o trânsito em São Paulo e mesmo a Saga G dos Caveliros ter sofrido um hiato. A boa nícia é que se lancou um título como Bakuman (que pra mim é fantástico) e o qual eu prevejo fracasso pela temática. One Piece foi pro saco igualmente aqui e lançaram novamente Ranma 1/2 e uma série que nem é tão boa.

Muitas reedições, mas nenhuma noividade que faça jus à uma venda astronômica. Estou positivo sobre o que poderá vir por aí, mas estou, por outro lado, receoso de haver poucos títulos interessantes nas bancas nesses meses e a demanda de animês e mangás das novas temporadas com coisas que não tenham bom conteúdo ou que sejam ruins tendam à só se expandir esqucenedo que Naruto e reedições não são as únicas coisas que vendam e possam ter algum conteúdo bom.

OIu as editoras mesmo…

Depois de meses, quase um semestre estou de volta nesse humilde blog. Possivelmente sem nenhum leitor e escrevendo para ninguém além de mim. Ou seja, quase como um diário pessoal. Não que eu escreva para alguém, mas continuo reclamando do fato de se fazer um blog pro ar.

Estou com alguns problemas em tentar escrever constantemente até porque o site seria para prezar aquilo que é antigo, mas eu não consigo não falar do mercado atual de mangás ou da minha experiência por mais que eu tente ocultar minhas leituras recentes.

Obviamente, nem tudo são flores. Afinal estamos falando do mercado brasileiro de mangás. Já se nota que as encadernações e as traduções não são as melhores que se pode ter. Temos o nosso grande senhor Briggs, expoente atual da dublagem Brasileira, por mais que ele não seja tão ligado ao universo animê e mangá, sua voz ficou marcada por suas dublagens. Acho que ele é a melhor notícia do mercado Brasileiro de dublagem nos últimos dez anos, mas ele acabou cometendo gafes sérias em suas traduções por primar demais pela criatividade desenfreada e não tomar cuidado com o uso excessivo de gírias. Claro, ele dublou Freakazoid e teve um trabalho imenso para isso. Não que isso signifique alguma coisa para as gerações futuras, o que é uma pena visto a qualidade desempenhada do trabalho, mas a transposição dessa técnica para um mangá, por mais que ele tenha linguagem chula e gírias seu uso, em excesso, pode comprometer a leitura.

Esse foi o primeiro ponto desses meses. A dublagem. Notar que a dublagem, na verdade não evoluiu ou mesmo com a chegada de aparelhos mais modernos a dublagem paulistana e mesmo a carioca estão defasadas – acompanhe os sites sobre isso e verá que o instituto Álamo fechou as portas recentemente. Isso mesmo! O estúdio responsável pelas dublagens mais famosas do Brasil. Eu AMO dublagem, mas muitas pessoas não respeitam ela porque existem problemas, obviamente. Se o primor técnico chegou,  em contrapartida, o mercado está precisando de novos talentos. Não basta ter uma pessoa para dublar todos. Quase todo mundo diz que não gosta de dublagem por haverem poucas vozes por aí. Seleção difícil e aquele negócio de talento, mas convenhamos, o mercado precisa se profissionalizar e não é isso que vêem acontecendo.

Sempre se insiste na dificuldade do mercado de dublagem e no trabalho que requer mil e um talentos ocultos vindos da forças astrais e uma inspiração digna de um artista como Balzac. Joga-se a culpa de uma tradução ou uma sincronização bem ou mal feita na capacidade individual inerente de cada individuo. Você precisa nascer para dublar, se não jamais poderá ser um deles, até porque as estrelas determinam se você será um grande dublador ou não. Issso segundo a maioria dos profissionais.

O que é necessário para ser um dublador sem tanta mistificação?! Esses são os passos práticos, as dificuldades para poder ingressar em um estúdio que eu irei apontar agora.  Praticamente é um milagre a ser realizado, você precisa fazer tudo sozinho até porque você precisa de diploma de teatro, mas, na verdade, o diploma é uma fachada porque você não precisa se apresentar no palco. As técnicas de teatro são na maioria direcionadas à apresentação em palco e jogo de corpo e não ao controle da voz. Isso, meus caros não precisa de fonte, ou voc~e vai fazer atuação cênica com a voz?

Seria melhor fazer tradução ou ser um técnico de som, já que você precisa se registrar como dublador, ser selecionado e ficar de molho até desenvolver todos os procedimentos de uma técnica de dublagem. Um tipo de mantra, uma coisa mágica porque um bom dublador não fala como ele faz as coisas. Sempre são técnicas distribuídas e passadas pelos próprios colegas formando um círculo fechado. Dizem que demora quase uma década pra fazer uma lenda, se é que ele será bom o bastante para dublar. O que eu acho inconveniente demais se você quer saber.

Os estúdios têm interesse em colocar outros trabalhos e temos comunidades, mas as escolas de dublagem no Brasil não são recomendadas nem por outros dubladores. Eles se formaram por si mesmos. Eles criaram as próprias técnicas e desenvolveram afinidade, porém, trabalhar com um aparelho, textos e sincronização não são só talento, mas uma questão de prática e pode ser ensinada e desenvolvida por meio de treinamento.

Carisma é uma questão inerente, mas todas as outra habilidades podem ser desenvolvidas. Para se criar um profissional que tenha um método característica não é sempre possível. Porém, ainda mais, sem uma escola ou sem possíveis candidatos você mina toda uma profissão que fica na obscuridade como ela sempre esteve e o desrespeito se vê direcionado à essa área pela falta de profissionalização de certas coisas. Então acho que esses profissionais deveriam se preocupar em fazer um legado e transmitir a profissão pra mais pessoas para ver se de 10% do que eles conseguem alguma coisa presta e nem todo profissional precisa ser um expoente. Senão jamais teríamos uma indústria de escolas no Brasil ou em outros países. Os profissionais da área estão solapando o desenvolvimento de um mercado que eles mesmos deveriam ajudar a desenvolver isso em prol de uma suposta qualidade de nomes e lendas da dublagem. Todas elas são poucas e não é fechando o círculo que vai se descobrir novos talentos.

Infelizmente, a tendência é fechar o círculo e culpar uma hipotétrica abertura pela qualidade, mas é justamente a falta de profissionais novos e treinamento direcionado que faz com que o mercado se afunile e tantas empresas fechem, pois ninguém sabe o que fazer quando, por exemplo, um cara como o Élcio Sodré ou o Hermes “me dê sua força Pégaso” Barolli morrerem. Irão sonhar com os dias dourados, mas não sabem que eles foram possíveis porque o mercado estava aberto e descobriram talentos novos, possivelmente, porque o mercado era jovem e requeria exploração. O pioneirismo é importante, mas o estabelecimento de metas e profissionalização garante a sobrevivência de um ramo.

Espero que a dublagem não viva mais nas nuvens rosas do talento pré-determinado.

Um adendo:

Minha postura nesse post foi de questioanr certas deeclarações que me pareciam um pouco desviadas do que realmente é o processo de seleção da dublagem. Você precisa de um certificado de ator especial para atuar em dublagem e isso pode ser verificado no site dublanert em que o briggs explica esses trambiques e diz que a carreira de um profissional de dublagem é feita por esforço e dedicação pessoal.

Não há formação e as poucas escolas de dublagem , geralmente, são refutadas pela maioria os profissionais caso você leia os fóruns ou opiniões deles em comunidades das quais participam. Sendo consideradas escolas caça-níqueis. Ao que parec método mais comum é que por indicação você seja selecionado por outro dublador e caso em um tempo de mais ou menso cinco se destaque eles te selecionem para algum papel fixo como experiência de lançamento na carreira profissional.O mercado costuma ser peqeueno segundo os próprios profissionais, mas mesmo assim o mercado do Hoem vídeo é grande. É díficil entender porque algo importanbte como a dublagem seja tão restrita à um nicho.

O caso do dublador Guilherme Briggs ilustra bem isso. Ele nunca havia participado dessas coisas, mas como ele sabe desenhar, cantar e se provou um cara versado em várias artes pode participar e conquistar o seu espaço, mas ele é a exceção da exceção e não a regra. Meu ponto é que se não há escolas e nem formação garantida sendo que os cursos paralelos e relacionados tangencialmente com a profissão são os únicos meios , ao que parece, e que é só entrando por meio de indicações ou conhecendo as pessoas certas ou por um golpe de sorte embarca-se na profissão da dublagem. É toda a impressão que se passa ao ler sobre esse trabalho.