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Archive for October, 2012

Solanin

A primeira cosia a se falar de interesse é: eu li Solanin entre ontem e hoje de madrugada, mas que TEXTO! Que história. Eu havia lido uma resenha da obra Oyasumi punpun que havia traduzido para a página Japanholic Hyperdimension. Achando que, de fato, havia exageros na descrição da obra, mas lendo Solanin que é apenas um “conto” ou uma novela se comparado com a grande obra dele acho, por fim, que esse entusiasmo é mais que justificado.

Admito: a identificação se tornou fácil pelo momento da vida em que estou passando, mas creio que a temática seja muito bem trabalhada para ser uma mera ocasião de repercussão da obra. A experiência pode ser intensificada quando estamos dispostos a receber essa mensagem de forma mais fácil e sem entraves estando muito mais aptos a deixar essa experiência nos consumir de forma bem mais intensificada caso viéssemos com mais entraves. Porém, não acho que a obra seja reduzida à uma identificação imediata até porque a situação em si , embora diferente da minha, tem haver comigo nesse meu momento. Isso significa que se falou de algo específico, mas conseguiu-se manter a porta aberta para a imersão do leitor e essa identificação com uma história que, aparentemente, não é igual á sua por causa de certos detalhes, mas o grande demônio que me pegou está nesses detalhes.

A obra em si tem muitos jogos de multi-significações, dá reviravoltas, brinca com os sentimentos humanos de forma extraordinária etc etc A dança de sentimentos internos, conflituosos e a descrição de cada drama das personagens é algo único feito pelas mãos desse mestre que é Asano. Não porque eu esteja elevando artista, mas porque o trabalho dele com essa linguagem que é os quadrinhos trabalha em dois planos: a palavra poética e as imagens. Existem abstrações simples como em outras obras e existe um discurso coerente e progressivo com a mensagem em si sendo contada. Cada instância dessa história mostra um passo dentro da obra em si quando acabamos por analisar as reviravoltas e os dramas que são instalados. As dúvidas e as tragédias servem para dar significado à uma nova etapa.

 

A mensagem, apesar da melancolia instalada, tem haver, sim com o mundo atual, mas não se preocupa com a retratação fiel de um sistema econômico, mas com os sentimentos internos dessas personagem em si. Ou melhor: dessas personagens porque seria injusto negar que a obra começa em torno de um casal, mas acaba se tornando um drama do grupo em si que não deixa de ser enfocado de maneira consistente e sem espaço pra emoção fácil. A história chega a ser cruel e dá uns belos tapas na sua cara só para fazer você se sentir pior. Não se engane: a história não serve para indignar , mas serve para pensar. Uma mensagem positiva dá toda a sua forma e pra mim Solanin é muito mais honesto que muitos mangás por aí. Porque não empresta ao leitor respostas fáceis. Se é que empresta algo definitivo como uma resposta embalada em papel de cetim e contornos de laço de seda. Muitos diriam que é aqui que mora o perigo: uma obra aberta que não se conecta, mas o perigo maior é quando a obra não se abre para interpretações e não dá de certo modo uma mensagem. De qualquer modo Solanin não cai em nenhum dos dois extremos e é muito equilibrado nesse aspecto.

Ficar falando de todos os aspectos positivos da obra e destrinchar cada momento seria não destruir a obra, mas apenas implicar minha interpretação por intermédio da minha primeira leitura e que, por sinal, sempre pode ser questionada por alguém mais sensível e atento às múltiplas signicações de modo mais preciso e mais aberto. Não que eu queira me abster disso, e, sim, eu poderia ter sido mais curto, menos enfático em certos pontos e ter comunicado a mesma coisa nesse longo texto que, SIM, não trás nada de útil a não ser meu entusiasmo com essa obra. além de ser , de certo modo, masturbação terminológica e artística que, fora de contexto, parece mais uma bajulação ao mangá. Porém, essa não é a minha intenção, mesmo!. Acredite, eu tenho razões para não querer estragar um primeiro contato com a obra. Até porque eu prefiro me deter e reler o mangá com mais cuidado e frieza para poder dar uma análise justa mais tarde.

Queria evitar os dos extremos e acho que fui bem sucedido. Agora ao próximo assunto:

Hoshi no Samidere:

Uma frase:: Bokurano com mais textura.

Hoshi no Samidere eu acabei descobrindo por intermédio de um fórum de Tohou, mas como não acabei tenho pouco o que falar da obra. Sei que ela brinca muito com os estereótipos de Battle Shonens e desvirtua tudo possível e inverte as situações tratando realmente do crescimento das personagens. Não é uma desconstrução, mas uma releitura, ou melhor, um diálogo muito bom e interessante com a tradição do Battle Shonen que já empolgou muita gente por aí.

Tudo parece ser mais obscuro do que parece. Há niilismo e não há exatamente o envolvimento da personagem principal que se mantem frio ás causas nobres de uma “suposta salvação do mundo”, mas não deixa de ter relação com os Shonens que fizeram tanto a minha cabeça quando eu era mais novo e ainda estava ingressando nesse mundo de Animês e mangás.

É bom retornar aos mangás com um gênero que tanto apreciei, mas que ao mesmo tempo o coloca em questão e aprofunda coisas que um mangá Shonen não abordaria e, claro, sem se tornar algo alienígena aos estereótipos do gênero em questão e, sim, dialogar com os mesmos. Pegar um modelo pronto e o modificar pelo prazer de brincar com uma audiência é fantástico. Ainda mais  com um gênero tão repisado e parodiado! Para fazer isso de uma maneira original é bem mais difícil do que simplesmente criar algo “novo”. Mais difícil do que se imagina. Isso porque para seguir uma receita de bolo e tentar fazer um novo sabor ou uma nova textura ao invés de um pudim ou uma torta é quase um processo cirúrgico!

 

Recomendadíssimo.

 

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