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Archive for August, 2012

Olá pessoas que estão lendo meu post por meio de links e avisos desse aguardado (ou não) post dentro do meu, relativamente, desconhecido blog.  A origem do post que se segue é referente a algumas questões que tem me infligido certo desconforto mediante o meio otaku, mais especificamente, o que se chamam de Fujoshis.

Pelo que sei Fujoshis tem dois significados amplos, mas, o que será usado nessa postagem, são mulheres fãs do gênero Yaoi. Não irei me deter nos pormenores da constituição e nem da arte Yaoi pelo fato de eu mesmo conhecer muito pouco sobre essa arte “milenar e secreta” como muitas vezes ela parece ao fã de animações Japonesas. Vulgarmente, chamado no BR de otaku. Polêmicas com esse nome tão pouco serão debatidas.

Minha experiência com esse grupo tem sido ruim e até mesmo tensa. Sendo que constitui um ódio pouco comum dentro desse nicho do nicho que é como se pode definir esse grupo. É bom notar, entretanto, que eu mesmo faço parte de grupos de nicho: sou jogador não casual de games de RPG, especificamente, os famosos JRPGs. Amo RPG de mesa e tenho uma carga de animês vasta.  Sendo assim, não me enquadro nem tanto em algum nicho como, também,  não sou parte do público “geral” otaku. Deixo isso claro como defesa prévia sob futuras acusações em cima das afirmações à seguir. Se você tem problemas com preconceito, afirmações categóricas,  generalizações, insinuações de ódio, Flame War generalizado e não gosta de polêmica, por favor, se abstenha da discussão. Ela será tudo menos amena, mas, claro, haverá respeito.

Acho que outros esclarecimentos são necessários porque eu irei fazer uma crítica severa e ácida ao fato do que é ser Fujoshi. Portanto, baseado em uma experiência limitada, e, portanto, pouco realista do modo quantitativo de como é o real comportamento de uma menina dessas na vida real irei traçar o que para mim é o perfil dessas fãs. Conheço pessoas (garotas) inteligentíssimas, sensíveis e muito mais bem sucedidas que eu que cairiam nessa categoria de Fujoshi.

Fazer Shippagem (esperar pela concretização de um casal ou de um romance) em uma série é uma prática comum não restrita ao gênero. Na verdade, o Romance e a expectativa de um caso amoroso é atribuído a noveleiras, mas isso está longe de ser a realidade. Isso se aplica às Fujoshis com relação aos casos amorosos homossexuais entre seus protagonistas de mangás. O gênero yaoi veio cobrir essa exigência mais que específica de um público crescente. A perversão do gênero Moe surgiu disso assim como outros elementos e modificações diante das exigências estéticas de públicos específicos.

Há, portanto, um mercado que foi constituído por exigências específicas de um grupo dentro de um grupo. Okay, mas e daí?! Acontece que essa especificação saiu do controle. O próprio termo Fujoshi (assim como otaku) é um termo revestido de preconceito e insinuações maldosas. Ele siginifica literalmente menina podre ou mulher apodrecida. Algo similar poderia ser o correto. Não me importa o que é exatamente, mas que o termo é pejorativo e indica um certo desvio de caráter.

Não estou afirmando que ter prazer em observar relações homossexuais com afinco e fazer shipping seja ruim. Todo mundo fez shipping na vida em algum momento. Saiba disso ou não. Seja por gostar de séries ou acompanhar qualquer tipo de produção seriada que tenha romance. O problema é o nível e a importância atribuídos à isso. Observar as relações entre Syaoran, Toya e Sakura e querer que o romance seja generalizado e mesmo se comover com o amor entre dois homens pode ser uma experiência “diferente”. Porém, as relações e o modo como é tratado são interessantes. Amor, amizade e romance não tem limites de gênero.

O grafismo dessas relações, entretanto, incomoda muita gente, portanto, se manteve esse tipo de mangá na gaveta de fãs e de circulação restrita. Incomoda pelo exagero das proporções e a delicadeza afeminada e extremada dos homens  havendo a transfiguração do masculino para o feminino das personagens masculinas. o tem todo o poder de incomodar aos mais conservadores. Não que esse modelo seja ruim em si. Na verdade é um padrão da cultura Japonesa a beleza afeminada e o tratamento das feições belas como mais delicadas.

Então onde reside o problema, pergunta o leitor? Agora é que o pau vai comer! No público, oras. Desculpe, mas é o público que torna essa prática de gostar e de cultuar insuportável. Em geral, os fãs tendem a tratar com seriedade demais aquilo que eles cultuam. As Fujoshis não são exceção nesse quesito, mas elas estendem seu interesse que é específico para quem não quer ver e nem se sente confortável com isso. Imagine alguém querendo convencer vc que um filme de um diretor Expressionista alemão que trata de sindicatos e política seja interessante. É quase uma escola e doutrina em certos aspectos.

As “fãs de Yaoi” mostram imagens, divulgam seus trabalhos e mantem entre si esse interesse, mas existe sempre a divulgação indevida de um gosto alheio à um público. Seja por meio de choque de mostrar homens com corpos delgados se pegando ou cenas de penetração anal masculina em redes sociais. Não tão comum, mas vira e mexe acontece.

Em geral, elas constituem um grupo fechado de restrito interesse. Muitas delas não gostam de mangá: nem shoujo, Josei e , especialmente, shonen, apenas Yaoi. Dentro dessa atitude há assimilado a elas um movimento de que o mangá Yaoi inventou muita coisa dos outros mangás e afirmações da qualidade superior como arte dessas produções. Havendo uma supervalorização e uma “inflação” de valores agregados às obras. Diz-se, comumente, que nenhuma outra obra consegue tratar romances e relações afetivas com tamanha seriedade como as referidas obras.

Existe, também, por extensão, a atribuição de certas obras e autores ao rol do Yaoi e uma apropriação dessas obras para o gênero em si. Assim como muitas vezes existe dentro de certos limites a afirmação de que certas obras são exclusivas para mulheres. O que não restringe aos mangás, mas às obras literárias. Jane Austen sofre desse mesmo mal. Só que é uma literatura que pode ser dita feminina e se fosse assim com essas obras estaria bem. Porém, existe uma expansão forçada do gênero à quem não se interessa por esse tipo de temática.

Portanto, o gênero tem sua origem, seu grupo de fãs, mas muitas vezes essa exaltação na defesa do gênero em si e da necessidade de se dizer fã acaba por se criar essa imagem ruim. Afinal, invadir o espaço alheio com temas e propostas que tem interesse específico e restrito é muito despudorado e mal educado.

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